Raqsar não amanheceu naquele dia.
Ela permaneceu suspensa entre a noite e a manhã, como se o próprio tempo tivesse se recusado a avançar sem permissão. As nuvens estavam baixas, pesadas demais para prometer chuva, leves demais para se dissipar. O frio não vinha do vento, mas das paredes, das pedras, da memória recente que ainda ardia em cada rua.
O sino maior do castelo soou antes do nascer do sol.
Não foi um toque único, nem urgente. Foram sete batidas longas, espaçadas, profundas, que pareciam atravessar o corpo antes de alcançar os ouvidos. Cada som dizia o mesmo: eles se foram. Não havia pressa naquele chamado. Apenas a certeza de que o reino precisava acordar para o luto.
As bandeiras pretas, já penduradas desde o ataque, ganharam novos significados. Durante a madrugada, mãos anônimas haviam amarrado fitas brancas nelas. Outras haviam colocado ramos secos, flores simples, pedaços de pano costurados às pressas. O povo não esperou ordens. O luto encontrou sua própria forma.
No Salã