O tempo passou.
Dessa vez, não passou como um invasor silencioso, nem como um carrasco impiedoso. Passou como alguém que sabe onde tocar sem ferir, que entende que certas marcas não devem ser apagadas, apenas acolhidas. O tempo passou como passa nos lugares que sobreviveram: com cuidado.
Raqsar estava reconstruída.
Não perfeita.
Não imaculada.
Mas inteira.
As muralhas haviam sido refeitas com pedras novas e antigas misturadas, como se o próprio reino tivesse decidido não esconder suas cicatrizes. As partes mais escuras permaneciam visíveis, lembrando a todos que aquele chão fora testado — e não cedeu. As torres voltaram a se erguer, agora mais sólidas, menos ornamentadas, pensadas para proteger, não para impressionar.
A ordem estava restabelecida.
Os guardas caminhavam pelas ruas com postura firme e olhar descansado. As armaduras já não carregavam o peso do desespero, apenas o da responsabilidade. Havia turnos regulares, risadas contidas durante a troca de vigia, conversas sobre coisa