Felipe
No dia seguinte, eu a observo como quem estuda uma peça vulnerável num tabuleiro: de longe, medindo cada gesto, cada hesitação. Ela tenta manter a postura — coluna reta, passos contidos — mas a fissura por dentro é óbvia: as mãos tremem sobre o teclado, o café esfria ao lado sem que ela perceba, e o olhar dela escapa assim que encontra o meu. Há uma transparência que eu não pedi, mas agradeço.
Não sei exatamente de quem ela tem mais medo — de mim, dos cantos escuros do passado, ou de que