Felipe
O telefone vibrou uma vez. Depois outra. Depois… silêncio. Aquele silêncio que corta, que irrita, que acende um alarme no fundo da espinha. Eu estava no andar de segurança da Diniz Cosmetics, cercado de telas, relatórios, mapas de acesso e rostos borrados por câmeras. Revendo — pela milésima vez — cada segundo da noite anterior. Tentando encontrar o maldito ponto cego onde o fantasma do Navarro se enfiou. Onde ele respirou o mesmo ar que ela. Onde esteve perto demais. Minha paciência já tinha evaporado. O que sobrava era só um núcleo duro de fúria e obsessão queimando dentro do meu peito, como um incêndio prestes a engolir tudo.
O próximo funcionário que viesse me trazer uma “atualização parcial” ia sair dali carregado. Então meu celular vibrou de novo. Helena. E meu coração fez algo que eu odeio admitir: parou. Por meio segundo, parou. Atendi no exato instante em que o nome dela piscou na tela — sem deixar o primeiro toque completar, sem pensar, sem respirar. Foi puro instinto