Felipe Diniz
Quando o telefone toca, eu já estou no meio de uma reunião que não importa, discutindo números que não importam, com pessoas que não fazem a menor diferença. O mundo inteiro está em preto e branco desde que o nome de Adrian voltou a circular como veneno no ar. Minha cabeça funciona em dois modos: proteger Helena ou destruir Adrian. Nada além disso merece espaço nos meus pensamentos. Mas quando vejo o nome dela na tela... Helena
Ligação…
— Saiam. — digo sem levantar os olhos.
— Mas senhor, a projeção do trimestre ainda pre...
— Saiam AGORA. — rosno.
A sala esvazia em quinze segundos. Eu já atendi antes de a porta fechar.
— Helena?
Nenhuma resposta imediata.
Mas a respiração…
A respiração dela vem quebrada. Trêmula. E, no fundo, abafado — aquele tipo de silêncio que só existe quando alguém está tentando não desmoronar.
Meu sangue vira fogo.
— Helena. Fala comigo.
Um soluço engasgado. Quase inaudível.
— F-Felipe…
Eu já estou de pé. Já estou caminhando. Já esto