Felipe
Cinco minutos. Não quatro e cinquenta e nove. Não seis. Cinco. É o tempo exato entre Helena existir do outro lado daquela porta blindada… e eu colocar minhas mãos em Adrian Navarro. Dirigir é um detalhe. Um incômodo. Um obstáculo irritante entre mim e a solução final. Eu corto a avenida como se o trânsito fosse uma invenção idiota — buzinas se abrem, carros desviam, semáforos deixam de existir. Nada importa. Nada tem peso. Nada tem voz.
Só o nome dela pulsa na minha mente. Helena. Helena tremendo. Helena respirando curto. Helena falando baixo, tentando ser forte enquanto ele quebrava cada centímetro da coragem dela com meia dúzia de palavras. E o nome dele. Adrian. A doença que eu deveria ter eliminado anos atrás. O parasita que agora ousou respirar perto da mulher que eu amo. A linha que ele cruzou — consciente, calculado, rindo. O som da ligação dela ainda está preso em mim. A pausa entre um “Felipe…” frágil e o silêncio que veio logo depois. A minha própria voz quebrando qua