Vitória Mancini observava a cidade do alto de sua cobertura como quem contempla um reino prestes a ruir — e, ainda assim, se recusa a largar a coroa.
Os olhos, duros, impenetráveis, não viam prédios ou ruas. Estavam fixos no nada. No vazio entre o passado glorioso e o presente instável. O silêncio da noite era cortado apenas pelo som das unhas vermelhas, impecáveis, tamborilando com precisão cirúrgica no braço da poltrona de couro. Um ritmo calculado. Um prenúncio.
Seu telefone repousava ao lad