Ao sair do consultório de Helena, Daniel respirou fundo. Pela primeira vez em dias — talvez em meses — sentiu o ar entrando nos pulmões sem parecer ácido. Era como se o corpo, tão acostumado ao modo sobrevivência, estranhasse aquele novo estado: o de não estar em guerra consigo mesmo.
Estava longe de estar bem. Mas, pela primeira vez, não precisava fingir que estava. E isso já era um alívio quase sagrado.
Caminhou pelas ruas da cidade com passos menos tensos, embora os ombros ainda carregassem