O som metálico do portão automático abriu um rasgo na inconsciência turva de Daniel. Não foi um despertar — foi uma puxada brutal para a superfície, como um afogado arrancado à força da água escura.
A cabeça latejava com violência. O estômago embrulhado. O hálito amargo da bebida velha se misturava ao gosto de arrependimento seco. Ele piscou contra a luz que entrava tímida pela fresta da cortina, o quarto em penumbra como o estado em que ele próprio vivia.
Sentou-se na cama devagar. O mundo gir