Neréia
Eu corri.
Corri sem saber para onde, apenas para longe daquilo que meus olhos jamais deveriam ter visto.
O ar da floresta cortava meu rosto como lâminas, e as lágrimas se misturavam ao frio da noite, tornando tudo ainda mais irreal. O som do meu coração batendo ecoava dentro da cabeça, abafando os ruídos da floresta, abafando o rugido distante de uma criatura que eu sabia que não existia ali, e mesmo assim o sentia, vibrava dentro de mim.
Meu corpo queimava.
A pele latejava como se as chamas o estivessem devorando de dentro para fora.
Eu havia sentido o calor antes, no instante em que meus lábios tocaram os de Kael, no toque inocente que deveria me fazer esquecer Zayden. Mas o fogo que me consumia agora era diferente. Selvagem, imperativo e desconcertante. Como se tivesse sido despertado por algo que reagia dentro dele.
O chão úmido da floresta sombria se misturava à lama que subia até minhas botas. As raízes das árvores emergiam como serpentes retorcidas, e o perfume de terra