Um mundo surreal

O primeiro som que ouvi foi o de folhas dançando.

Não o vento comum das montanhas de Uperside, mas um sussurro que parecia cantar, uma sinfonia feita de ecos dourados e promessas antigas.

Quando abri os olhos, não havia teto, nem paredes, nem o cheiro das ervas de Belle impregnando o dormitório.

Eu estava em outro lugar.

A luz era de um ouro vivo, quase líquida, se derramando sobre um vale imenso que se estendia até onde a visão alcançava. As árvores tinham copas que cintilavam em tons de azul e prata, e o ar possuía um perfume doce e limpo, como mel silvestre misturado à relva úmida.

Abaixo dos meus pés descalços, a relva era fria e macia, como se cada folha de grama respirasse sob minha pele.

Olhei para o meu corpo, e perdi o fôlego.

Eu vestia um vestido branco quase translúcido, feito de algo que lembrava água líquida. Ele se movia como se tivesse vida própria, flutuando em torno de minhas formas. O tecido captava a luz e refletia arco-íris pálidos, e cada passo que eu dava deixava
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