A casa estava finalmente quieta.
As taças no escorredor, as almofadas jogadas pelos cantos, e os últimos risos abafados entre Clara e Rebeca ecoando do corredor já pareciam coisa de outra vida. Ícaro, de moletom roxo e cabelo preso no topo da cabeça com uma piranha de strass, saiu da cozinha com um pote de sorvete e uma colher. Pisou descalço, silencioso, como só alguém com drama no sangue e segredo na alma sabe fazer.
Bateu duas vezes na porta entreaberta do quarto de Clara.
— “Tá acordad