O tempo não existia mais. Só a dor.
O corpo de Pedro era um mapa de feridas abertas e hematomas novos sobre antigos.
A cela fedia a sangue seco, suor e ferro. Mas o que mais doía era o silêncio — aquele tipo de silêncio que vem depois da esperança.
Ele se apoiou na parede, o crucifixo amassado preso à mão como uma lembrança teimosa de fé.
As correntes tilintavam toda vez que ele respirava.
O frio parecia zombar dele, invadindo a pele como se quisesse testá-lo.
E então o trinco girou.
Devagar, c