A foto parecia queimar nas minhas mãos. Eu a dobrei rápido e enfiei no fundo da bolsa, como se escondê-la pudesse apagar o impacto. Mas nada apagava a sensação de que alguém tinha me seguido, registrado aquele momento em Veneza e, anos depois, decidido jogar isso contra mim.
Sentei na cama do hotel, tentando controlar a respiração. Meus dedos tremiam, e o coração não acompanhava o ritmo normal.
Quem mandou isso?
O nome de Chiara foi o primeiro a aparecer na minha mente. Fazia sentido. Ela tinha dinheiro, influência e motivos de sobra para querer me intimidar, mas a foto tinha algo estranho. Não parecia recente. Será que eles já estavam juntos naquela época? O ângulo era perfeito, quase íntimo demais para ser obra de alguém da equipe dela.
Meu estômago se revirou. Se não tinha sido Chiara… quem mais sabia?
Levantei e fui até o espelho. O reflexo mostrava meu rosto pálido, olhos fundos. A cada minuto, eu repassava todos os detalhes da noite em que tudo aconteceu: o restaurante escondido