Depois da invasão, Augusto decidiu que não podia mais adiar.
Não falou em medo. Não falou em ameaça. Muito menos em sucessão.
Homens como ele não davam nome a pressentimentos — apenas agiam quando algo dentro deles começava a se mover.
E algo estava.
Augusto sentia, com uma clareza incômoda, que uma mudança se aproximava. Não sabia quando. Nem de onde. Apenas sabia que o tempo — o único recurso que sempre controlara com precisão — já não parecia tão previsível quanto antes.
Ainda assim, não compartilhou a sensação com ninguém.
Pressentimentos eram ruído. E ele sempre fora um homem de decisões, não de suposições.
Por isso, quando falou, não houve aviso.
— Hoje você vai comigo à empresa — disse, com a naturalidade de quem comentava a previsão do tempo, enquanto terminavam o café da manhã.
Helena ergueu o olhar devagar, estudando o rosto do pai. Augusto raramente improvisava.
— Para quê?
— Para assistir — respondeu ele. — Não para falar. Não para decidir. Apenas para começar a