Natália
Acordo antes do despertador, antes mesmo que o primeiro raio de sol ouse espreitar pelas cortinas. O quarto ainda está mergulhado na penumbra, um frio sutil que me arrepia a pele, um ar gelado demais para um lugar que deveria ser abrigo, calor, lar. Estendo a mão para o lado da cama por puro hábito, um gesto automático que se repete todas as manhãs, e encontro apenas o vazio. Um vazio que ecoa na minha alma.
Ricardo já se levantou. O lençol do lado dele está esticado demais, alinhado com uma precisão quase militar, como se apagar qualquer vestígio da sua presença fosse uma forma de manter o controle. Ou a distância. Ele sempre faz isso quando acorda cedo, essa mania de deixar tudo impecável, intocado, como se a noite que passamos juntos fosse apenas uma ilusão que ele precisa varrer para debaixo do tapete antes que o dia comece.
Levanto-me devagar, sentindo o peso da noite anterior ainda no meu corpo. Ele lembra do calor, da intensidade, da forma como ele me tocou com urgência