Não. Não vou perdoá-lo.
— Eu sei que você está com raiva — ele continua, ignorando Vitor, ou talvez tentando. — E eu mereço. Mas… o que eu fiz com o Vitor… não foi o que você pensa. Eu pensei… eu estava cego. Cego de dor, Natália! Cego por não poder te dar o que você mais queria!
Minha gargalhada é alta demais para o ambiente elegante, e algumas cabeças se viram. Não me importo.
— Cego? Você estava cego? Ou estava apenas sendo você, o grande Ricardo, que sempre sabe de tudo e nunca erra? E o que você fez com o Vitor? Ah, sim, o soco. Uma demonstração de virilidade bem típica de quem não tem argumentos. Você é um covarde, Ricardo. Sempre foi.
Ele empalidece. A menção do soco o atinge mais do que eu esperava. Bom. Que ele sinta a dor, a vergonha. É o mínimo que ele merece.
— Natália, por favor… — A voz dele sobe um tom, e agora sim, mais pessoas nos observam. — Nós teremos um filho. Não faça isso.
O salão parece girar por um segundo. A música, as risadas, tudo se torna um zumbido distante. A raiva que me manti