Ele franze a testa, e eu vejo ali o conflito interno dele: o irmão de Ricardo, o homem que preza pela responsabilidade, o amigo que sempre foi mais cuidadoso comigo do que deixava transparecer.
— Natália… o Ricardo tem o direito de saber — ele começa a dizer.
— É a minha vida, Vitor — eu o interrompo, soando mais firme do que eu realmente me sinto. — Deixa ela ser apenas minha por um instante. Eu preciso processar isso antes que o mundo inteiro decida o que eu devo fazer.
Ele me encara por alguns segundos, medindo a minha determinação. Depois de um tempo que parece uma eternidade, ele assente.
— Tudo bem — ele diz, cedendo. — Mas você me promete uma coisa.
— O quê?
— Que vai se cuidar. E que vai fazer o teste hoje mesmo — ele exige.
Assinto de novo, sentindo um peso enorme sair dos meus ombros, apenas para ser substituído por outro ainda maior. Levo o copo de água à boca novamente. Ela desce devagar. Fica. Pela primeira vez em dias, eu não sei se isso é um alívio ou apenas o começo de