Se for verdade… eu não quero que ele saiba.
Dias depois...
Natália
O café está cheio demais para o que eu consigo aguentar hoje.
O cheiro me atinge com a força de um soco antes mesmo de eu me sentar à mesa. É uma mistura densa de café passado, pão quente saindo do forno e alguma coisa doce demais, enjoativa, que paira no ar como uma névoa. Meu estômago se fecha em uma resposta imediata, quase infantil, uma revolta física que eu não consigo controlar. Forço um sorriso pálido quando vejo Vitor atravessando o salão, desviando-se das mesas com a sua elegância habitual.
— Você está pálida, Natália — ele diz, antes mesmo de me cumprimentar, os olhos fixos no meu rosto.
— Bom dia para você também, Vitor — eu respondo, tentando imprimir um tom de brincadeira na voz, mas ela sai sem força.
Ele se senta à minha frente e me observa em silêncio por alguns segundos que parecem longos demais para serem apenas educados. Conheço esse olhar. Vitor sempre foi o tipo de homem que percebe as rachaduras antes mesmo de a estrutura ceder. Ele sempre