O salão gourmet está banhado por uma luz âmbar excessiva, refletindo-se em rostos impecáveis e risos que soam como notas agudas demais aos meus ouvidos. Tudo aqui é orquestrado com um perfeccionismo que sufoca qualquer vestígio de espontaneidade. Ana vem em nossa direção assim que cruzamos a entrada, sua energia vibrante cortando o ar.
— Natália! — Ela me envolve em um abraço entusiasta. — Você veio!
— Claro — sorrio, tentando mimetizar sua alegria. — Feliz aniversário, Ana.
Ela se afasta um pouco e seus olhos pousam em Ricardo, que permanece ao meu lado como uma escultura de gelo e autoridade. O terno escuro molda seus ombros largos, e a beleza dele, tão predatória quanto elegante, parece silenciar o ambiente ao redor.
— E você conseguiu trazê-lo — brinca ela, com uma piscadela cúmplice.
— Ele chegou hoje de viagem — justifico, protegendo-o antes mesmo que ele precise abrir a boca.
Ricardo estende a mão, a formalidade de um CEO que nunca baixa a guarda.
— Ricardo.
— Ana.
Ela sorri, v