Natália
Três dias se passaram desde que Ricardo cruzou aquela porta, e o silêncio que ficou não foi o vazio que eu esperava. Não houve o estardalhaço do luto, nem o drama das ligações perdidas. Foram dias densos, compactos, onde cada minuto parecia assentar a poeira de um desmoronamento interno.
No primeiro dia, eu apenas respirei, redescobrindo o oxigênio sem o peso da presença dele. No segundo, estudei o silêncio da casa como quem aprende um novo idioma. No terceiro, a decisão simplesmente floresceu.
A raiva não foi embora; ela apenas mudou de estado físico. Deixou de ser o incêndio que me consumia para se tornar uma lâmina de gelo: fina, precisa e absoluta. Ela não queima mais; agora ela sustenta. É uma lucidez metódica que me guia enquanto começo a extirpar o que ainda insiste em me prender ao passado.
Elza me observa da soleira, com aquele olhar de quem conhece as rachaduras das paredes antes mesmo de elas aparecerem. Ela viu o início, as ausências e os silêncios que eu, por tant