Dois dias depois...
Natália
O elevador sobe lento demais, como se acompanhasse o ritmo pesado do meu coração.
O reflexo no espelho interno me devolve a imagem de uma mulher que se esforçou para parecer impecável. Escolhi um vestido leve, de um verde-claro que realça a minha pele, e deixei o cabelo castanho-escuro solto, caindo em ondas pelos ombros. Não exagerei na maquiagem; Ricardo nunca gostou de excessos, e eu aprendi a moldar minha estética ao seu gosto sóbrio.
A porta do elevador se abre no meu andar e eu já sei, antes mesmo de ver, que ele está de volta.
Ele chegou.
Meu coração se agita, uma reação involuntária que eu ainda não consegui domar. A mala está encostada perto da porta — discreta, cara, imponente. Como tudo nele. O cheiro do seu perfume amadeirado já impregna o ar, misturando-se ao silêncio gélido da cobertura.
Ricardo está na sala, ainda de paletó, os olhos fixos no celular com aquela concentração que o isola do mundo.
— Você chegou — digo, a voz saindo um pouco mai