Parte 58...
Emir
Continuamos sentados no banco. Ayla puxava pequenos pedaços do algodão-doce, distraída.
— Está bom? – ela enfiou o algodão na boca.
— Está sim.
— Então fiz a escolha certa.
Ela me olhou de lado.
— Quem escolheu fui eu. Você não combina com algodão-doce.
— Nem com encontros. – mexi o ombro.
— Nem com praça.
— Mas estou aqui, não estou?
Ela deu um meio sorriso.
— Está.
O barulho dos carros tinha diminuído.
— Está ficando tarde - falei, depois de olhar o relógio. — Eu te levo para casa. Não é seguro ficar na praça. Quase não tem movimento mais.
— Tudo bem. É melhor.
Levantamos. Andamos alguns passos.
— Ayla... Você quer voltar para a minha casa hoje?
Ela parou.
— Não. Eu vou pra minha casa... Nem pensar.
— Pensei que seria bom. Ainda somos casados.
Ela respirou fundo.
— É por isso mesmo.
Virei para ela.
— Como assim?
— Nós já resolvemos o que nos obrigou a isso. - disse. — Não tem mais motivo para continuarmos assim.
— Tem.
— Qual?
— Eu...
Ela me encarou.
— Isso não é mo