Parte 57...
Emir
Eu a vi antes que ela me visse.
Sentada no banco, as mãos unidas no colo, o corpo um pouco encolhido como se estivesse se protegendo do vento ou estivesse desconfortável.
Ayla não pertencia àquela praça. Era delicada demais para o concreto feio e sujo. Ainda assim, estava ali. Me esperando.
E eu, que enfrentei homens armados sem sentir nada além de cálculo, senti o peito apertar. Apesar de poucas horas, eu fiquei incomodado esse tempo todo.
Ela levantou o rosto. Nossos olhares se encontraram. Nada mais existiu pra mim. Agora ela já não está comigo, em casa.
Caminhei até ela sem pressa. Não queria que parecesse perseguição. Queria que parecesse escolha.
— Você veio mesmo – ergueu o rosto.
— Eu disse que viria. Teria vindo ontem mesmo.
Sentei ao lado dela, deixando um espaço que o meu corpo não queria respeitar.
— Por que uma praça?
— Porque aqui eu não me sinto presa. Não tem muros e nem seus seguranças.
Aquilo doeu mais do que deveria.
— Eu também não quero que se sin