Parte 23...
Ayla
O mundo apagou por um instante.
— Emir… - minha voz saiu quebrada. — Eles querem me matar? Mas por que? – senti até o ar me faltar.
Ele guardou o celular no bolso e passou a mão na minha nuca de novo, inesperadamente protetor.
— Enquanto eu estiver vivo - ele disse — Ninguém toca em você.
Atrás dele, o barulho aumentou. Outro portão batendo. Mais passos correndo. O caos recomeçando.
Não deu tempo de responder. Um estrondo ecoou no jardim. Gritos. Gente correndo para todos os lados. Alguém caiu. Outro portão bateu com força. O casamento tinha virado um campo de fuga.
— Entra - ele ordenou.
— Emir, eu não consigo correr - minha perna falhou dentro do vestido.
Ele não discutiu. Simplesmente me pegou no colo.
— Segura em mim - disse, curto.
Passei os braços pelo pescoço dele por reflexo. O corpo dele estava tenso, quente, duro como pedra. Cada passo era rápido, decidido. Eu sentia o coração dele batendo contra o meu, forte, descompassado. Pra mim isso era igual uma guerra