Parte 37...
Ayla
Eu olhava pela janela do carro, os braços cruzados, o corpo inteiro em alerta. Emir dirigia com uma calma que me irritava mais do que se estivesse gritando. As mãos firmes no volante, o olhar atento à estrada, como se nada do que tinha acabado de acontecer no hospital tivesse mexido com ele. Mas eu sabia que tinha. Eu sentia.
O carro diminuiu a velocidade de repente.
— Onde estamos indo? - perguntei, sem virar o rosto.
— Comer - ele respondeu, simples.
Franzi a testa.
— Comer?
Ele estacionou em frente a um lugar pequeno, simples, mesas do lado de fora, cheiro de pão quente misturado com café forte. Um desses lugares que parecem existir só para quem conhece.
— Não estou com fome - falei rápido. — E não vou descer.
Ele desligou o carro, abriu a porta e saiu como se eu não tivesse dito nada.
Fiquei observando enquanto ele caminhava até uma das mesas externas e se sentava com a tranquilidade de quem tinha todo o tempo do mundo. Ele apoiou o cotovelo na mesa, puxou o celul