Parte 66...
Emir
Eu não lembro bem como cheguei em casa, mas que eu enfiei o pé no acelerador, isso foi certo.
Lembro da porta do carro batendo com força demais dentro da garagem da mansão. O som ecoou alto, vazio. O cheiro de combustível ficou no ar. Atravessei o corredor até a entrada principal sem sentir os passos. Errei a fechadura uma vez antes de acertar. Abri a porta e entrei.
E lembro, acima de tudo, da voz dela.
“Eu odeio você, Emir.”
A porta se fechou atrás de mim. O silêncio da casa caiu como um bloco pesado. Acho que os empregados deram um jeito de fugir de perto.
Joguei as chaves no aparador. Elas bateram no mármore e caíram no chão. Não me abaixei para pegar. Tirei a jaqueta e a arremessei no sofá. O tecido escuro escorregou, caiu torto, como se tivesse sido abandonado ali.
Caminhei alguns passos e parei no meio da sala. Foi ali que tudo veio.
O quarto pequeno. A luz amarela. Os olhos vermelhos. A mão dela batendo no meu peito. A palavra assassino. A palavra nojento. O j