Parte 70...
Emir
Saí do prédio de Arden com o peito carregado, como se tivesse engolido pedra. Entrei no carro sem dizer uma palavra. Um dos meus homens tentou perguntar se eu estava bem. Fechei a porta antes que ele terminasse a frase.
— Para a empresa velha. Agora.
O motorista não questionou. O caminho foi curto, mas pareceu mais longo. A cidade passava borrada do lado de fora. Gente andando na calçada. Lojas abertas. Vida normal. E eu com a cabeça girando em torno de uma garota que me expulsou da vida dela como se eu fosse um monte de sujeira. E de dois homens que tinham transformado isso em uma arma.
A empresa velha era onde meu tio ficava a maior parte do tempo. Um prédio antigo, concreto grosso, janelas estreitas. Lugar de reunião, de estoque, de gente que não existe oficialmente. Era o lugar dele.
Quando desci, o ar parecia mais pesado ali dentro. Cheiro de óleo, papel velho, metal. Dois homens na porta me olharam diferente. Já sabiam que eu tinha ido atrás de Arden. Já deviam