Eu encaro o diário aberto como quem encara uma ferida aberta.
A sala está silenciosa demais, como se o ar todo tivesse parado, prendendo a respiração comigo. O abajur derrama uma luz quente sobre as páginas, mas por dentro estou fria, tão gelada que parece que minhas mãos nem me pertencem quando tocam o papel.
Eu sei que é dele agora.
Do Noah.
Do garoto que me olha como se quisesse me odiar… e falha todas as vezes.
Mas nada me preparou para isso.
A página começa com a caligrafia dele, levemente inclinada, firme, e ainda assim… quebrada.
Só isso já me faz engolir em seco.
“Hoje fazem 421 dias desde que ela se foi, e eu ainda espero que a porta abra.”
Minhas mãos tremem.
Não… não… eu não devia estar lendo isso.
Sinto como se tivesse invadido um lugar onde ninguém deveria entrar, muito menos eu.
Mas meus olhos continuam.
“Às vezes penso que mereci perder. Que tudo o que toco acaba escapando, como se eu fosse feito para destruir o que tento segurar.”
A garganta fecha.
Uma pontada sobe pel