Eu não queria sair do quarto naquele dia.
Depois do diário, minha cabeça virou um labirinto escuro.
Mas Val insistiu tanto pra irmos pegar algo no bloco de artes que acabei cedendo.
— Vai ser rápido — ela disse.
Não foi.
No final, tropecei numa caixa idiota no corredor, raspei o joelho e esfolei a palma da mão.
Queimou na hora.
Sangrou um pouco.
Nada absurdo.
Mas o destino — ou essa merda de universo irônico — parecia determinado a me colocar de frente para a última pessoa que eu queria ver.
Noah.
Encostado na parede do corredor, moletom preto, olhar cansado…
E o pior:
Ele viu.
Ele sempre vê.
— Você é desastrada ou burra? — ele resmungou sem mexer um músculo.
Eu reviro os olhos, tentando ignorar o fato de que meu coração deu aquele pulo ridículo.
— Vai se ferrar, Noah.
Val tenta segurar uma risada. Bianca e Lia se entreolham, tipo “lá vamos nós”.
Eu passo direto, mas o sangue pinga no chão.
Merda.
— Você tá sangrando. — ele diz, com aquela voz baixa que parece sair arranhando por dent