15 — PRIMEIRA PROTEÇÃO

Eu sempre odiei bares apertados, mas naquela noite, odiar alguma coisa parecia melhor do que ficar sozinha no meu quarto, com o diário aberto esperando para me engolir de novo. As palavras daquele desconhecido — Se ela soubesse o que sinto quando passa… — ainda grudavam na minha pele como se tivessem sido escritas pra mim.

Ridículo.

Eu nem sabia quem tinha escrito aquilo.

Então eu fui ao bar.

Fui pra esquecer.

Ou fingir que esquecia.

O lugar estava cheio demais, quente demais, e a música parecia bater direto no estômago. Mas a Val queria beber, a Bianca queria dançar, e a Lia só queria rir de tudo. Eu só queria respirar.

— Vou pegar outra bebida — falei, deixando-as na pista.

Fui até o balcão, me encostando ali, tentando afastar o cabelo do rosto. O bartender demorava, e eu tentava parecer ocupada no celular. Qualquer coisa pra não parecer perdida.

Foi quando um cara apareceu ao meu lado.

Não notei no começo — só percebi quando senti um toque leve demais no meu cotovelo.

— Ei, princes
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