"Quis possuí-la com fúria — acabei despido diante dela: rendição, confissão e ruína."
— Fernando Torrenegro
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O poder se sustenta em duas coisas: medo e silêncio. Meus homens marcham porque crêem que eu não erro — que cada passo meu é cálculo puro, cada ordem uma sentença irrecorrível. Eles não seguem Fernando, o homem; seguem Torrenegro, o mito que eu mesmo forjei com sangue e nomes riscados no chão.
Mas a cada dia ao lado de Luna essa construção treme. Diante dela não sou mito nenhum: sou carne que dói, desejo que corrói e falha que se anuncia. E uma falha, num mundo feito de aço, é uma ferida que abre caminho para a queda.
Hoje, na reunião com os capos, senti a mudança no ar antes mesmo de abrir a boca. O salão cheirava a pólvora e suor, as vozes eram teclas que eu apertava com rigor. Um dos homens, um sujeito de rosto fechado e olhos cartográficos, ousou articular a pergunta que todos evitam: se meus planos continuavam apontados para Castilho. A pergunta veio disfarçada de curios