POV: Estela
Eu nunca imaginei que o som de uma caneta contra o papel pudesse se transformar em um grito. Não era um grito audível, não ecoava nas paredes do salão, mas dentro de mim soava como um trovão, reverberando até arrancar meu ar.
A mesa diante de mim era sólida, escura, tão imponente quanto os olhos frios do homem do Conselho que me estendia os documentos. Ao lado dele, a juíza de casamento sorria com aquele profissionalismo estéril, como se estivesse apenas registrando um contrato de