POV: Estela
Eu ainda não sei dizer quando foi que o silêncio começou a doer mais do que o medo.
Talvez tenha sido depois que Isa dormiu no quarto ao lado, com a respiração finalmente tranquila. Talvez tenha sido quando minha mãe chorou em silêncio, sentada na ponta do sofá, como se tivesse medo de agradecer alto demais e o universo mudar de ideia. Ou talvez tenha sido agora, sozinha no quarto, com a aliança pesando no meu dedo como algo que eu ainda não aprendi a chamar de futuro.
Eu deveria estar aliviada.
Repito isso como um mantra que não funciona.
Isa está em casa. Viva. Inteira. Ou quase — ainda não sei. Ainda observo demais. Ainda conto o tempo entre os suspiros dela, ainda presto atenção em como ela segura o copo, em como seus olhos desviam às vezes. Mas ela está aqui. Isso deveria bastar.
Não basta.
Há algo errado em como o ar pesa dentro de mim.
Como se eu tivesse trocado uma dor por outra, sem perceber.
Lorenzo não está aqui agora. Ele saiu há alguns minutos — disse que pre