POV: Lorenzo
Eu fiquei alguns passos atrás quando entramos no apartamento.
Não por distância física, mas porque aquele momento não me pertencia.
A porta mal havia se fechado quando Ana levantou do sofá como se o corpo tivesse agido antes da mente. O prato caiu das mãos dela, o som seco contra o chão foi engolido pelo grito que saiu do peito.
— Isa…
Ela não terminou a palavra.
Não precisou.
Isadora correu. Ana caiu de joelhos. As duas se encontraram no meio da sala num abraço desesperado, desordenado, feito de soluços, mãos trêmulas e promessas sussurradas entre lágrimas.
Eu vi uma mãe se recompor em pedaços.
— Minha filha… minha filha… — Ana repetia, como se dissesse o nome fosse a única forma de garantir que ela estava ali, viva, inteira.
Estela ficou parada por um segundo. Apenas um.
Então desabou.
Ela se aproximou devagar, como se ainda tivesse medo de que aquilo fosse retirado dela outra vez. Quando se ajoelhou ao lado das duas e as envolveu, o choro que v