O escritório de Nicholas era um santuário de poder. O cheiro de couro caro e um perfume masculino sutil pairavam no ar, misturando-se com a tensão que emanava dele. A luz fraca me fazia sentir exposta no meu roupão, enquanto ele, sem paletó, parecia o mestre do meu destino.
"Patrick disse que o senhor queria me ver," eu repeti, mantendo a voz tão estável quanto possível.
Ele não se moveu da janela. A escuridão fora da sala refletia a frieza em sua postura.
"O incidente do café da manhã," ele começou, a voz grave e sem pressa.
Eu me preparei, lembrando-me da minha resolução.
"Senhor, como eu já disse, eu não pretendia fazer nada sem sua permissão prévia. Eu não recebi nada detalhado do que ela deveria comer ou como passar o dia. Minha intenção era apenas incentivar a alimentação dela de uma forma positiva. E funcionou. Ela comeu as frutas."
Nicholas se virou completamente, dando um passo lento na minha direção. Seus olhos azuis eram como dois faróis examinando cada centímetro da minha