Fernando
Entrei no escritório ainda com o sangue fervendo, na pressa deixei a porta semiaberta. E, para minha irritação, Viviane ainda estava ali.
— O que você ainda está fazendo aqui? — perguntei, sem esconder o cansaço. — Não acha que já foi o suficiente por hoje?
Ela virou-se devagar, como se estivesse em um palco, assumindo o papel de vítima com perfeição ensaiada.
— Você está sendo cruel comigo, Fernando… — disse, a voz embargada, exagerada.
Ignorei. Fui direto à mesa, recolhendo alguns papéis, tentando recuperar o foco e a paciência que ela insistia em me roubar.
— Por um bom tempo, eu não quero você nesta casa — falei, firme, sem olhá-la. — Não me obrigue a proibir sua entrada aqui.
Ela soltou uma risada curta, ácida.
— Claro… — disse. — A ninfeta já está virando a sua cabeça, não é? — cuspiu as palavras. — Você é um homem jovem, bonito, rico… eu entendo que tenha necessidades. Mas logo com a babá ? É óbvio o que ela quer.
Parei. Respirei fundo. Contei até três.
— Pare com es