Fernando
Eu havia acabado de sair de uma reunião longa e improdutiva quando percebi que precisava de alguns papéis que tinha deixado no escritório de casa. Poderia, sim, ter pedido para a secretária resolver isso. Era mais prático. Mais lógico. Mas alguma coisa dentro de mim pediu para ir pessoalmente.
Atravessei os portões da minha propriedade com o carro em velocidade maior do que o habitual e estacionei em frente à entrada principal da mansão. Desci já afrouxando o nó da gravata, a mente ainda presa aos números e contratos, até que o som me atingiu.
Vozes femininas alteradas. E, logo em seguida, o som que fez meu estômago despencar: o choro da minha filha.
Acelerei os passos pelo hall de entrada e, ao chegar à sala, a cena diante de mim fez meu sangue ferver instantaneamente. Viviane estava no centro da sala, exaltada, segurando minha filha pelo braço de forma completamente inadequada. Lia chorava, assustada, o rostinho vermelho, tentando se soltar.
Do outro lado, Lizandra estava t