Fernando
Já fazia um mês desde o dia em que a Viviane armou aquele espetáculo na minha sala. Um mês inteiro sem gritos, sem choros forçados, sem invasões indesejadas na minha casa. Recusei todas as ligações dela. Quando teve a ousadia de aparecer na empresa, mandei a secretária dispensá-la sem hesitar. A mensagem foi clara o suficiente, porque desde então Viviane não voltou a cruzar os portões da mansão.
Ainda assim, o incômodo não foi embora. Porque quem passou a me afetar… foi a Lizandra.
Percebi aos poucos. No início achei que era impressão minha, coisa da minha cabeça cansada. Mas não era. O jeito dela comigo mudou. Os olhares rápidos e desviados, a distância calculada, o silêncio maior do que o necessário. Sempre educada, sempre correta, talvez até demais. Fria. Profissional. Como se tivesse erguido uma parede invisível entre nós.
E isso me atingiu demais. Antes, nossas interações eram naturais. Um comentário aqui, outro ali, um sorriso discreto. Agora, ela falava apenas o essen