O CEO frio e a copeira insubordinada

O CEO frio e a copeira insubordinadaPT

Romance
Última actualización: 2026-06-11
Patty Cardoso   Recién actualizado
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Resumen
Índice

Savannah Hayes é uma mãe solteira que trabalha em três empregos para sustentar o filho asmático e a avó idosa em um apartamento pequeno e mofado em Nova York. Já Damien Sinclair é o CEO frio e obsessivo da Sinclair Corporation, um homem conhecido por transformar trabalho em religião e destruir qualquer um que atrapalhe seus negócios. Depois de um encontro desastroso na rua, o destino piora tudo quando ela acaba, por uma brincadeira do destino, assumindo o cargo de secretária pessoal do CEO. Agora tendo que lidar direto com seu chefe ela tem que sobreviver ao mundo corporativo, segredos, mal entendido e tanto ódio quanto atração pelo chefe bonitão e arrogante.

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Capítulo 1

Atrasada, como sempre

SAVANNAH HAYES

O despertador tocou pela segunda vez e eu tive vontade de arremessar aquela porcaria pela janela. Todavia desisti no mesmo instante ao lembrar que a janela já mal fechava direito.

O vidro velho tremia com o vento e deixava a chuva fria entrar pelas frestas da madeira apodrecida. A cortina balançava, enquanto o cheiro de mofo impregnava cada canto da quitinete que consistia em dois quartos minúsculos, um banheiro apertado e uma cozinha interligada à sala tão pequena que, se alguém abrisse a geladeira resfriaria tanto a sala quanto a cozinha.

O pior da quitinete eram as paredes que tinham manchas escuras de mofo espalhadas perto do teto, apesar de todas as tentativas que eu fazia para limpar.

Aquilo só piorava a saúde do meu filho asmático, porém  um aluguel barato em Nova York não vinha com luxo de escolher paredes sem mofo. E eu já estava trabalhando em três empregos só pra manter aquele lugar caindo aos pedaços.

Meu filho dormia nos meus braços, febril, suado e irritado depois de passar a noite inteira tentando respirar com dificuldade.

— Noah, meu amor, tenta dormir mais um pouquinho…

Ele se remexeu manhoso contra meu peito, tossindo baixo antes de apertar mais forte o seu ursinho preferido

Sentei na beirada da cama estreita enquanto afastava o cabelo úmido da testa dele. Noah respirava com dificuldade.

Peguei o termômetro na cômoda e este marcou 38,7° C.

— Merda…

Noah resmungou baixinho quando peguei o remédio infantil ao lado da sua bombinha de asma. O medidor de plástico tremia entre meus dedos cansados.

— Amor, precisa tomar isso pra mamãe, tá bom?

Ele fez uma careta sonolenta.

— Ruim…

— Eu sei, mas confia em mim. É para você melhorar.

Aproximei a colher da boca dele devagar. Noah tomou reclamando, ainda abraçado no ursinho velho.

Passei o polegar no cantinho da boca dele antes de beijar sua testa quente.

— Tenta dormir mais um pouco pra mim.

Ele murmurou alguma coisa incompreensível e virou pro lado devagar, puxando a coberta fina até o rosto.

Levantei devagar da cama fazendo o possível pra não acordá-lo e saí do quarto de forma silenciosa.

A porta rangeu baixo quando fechei e o cheiro de café fresco invadiu o corredor minúsculo.

Minha avó estava na cozinha improvisada, usando um cardigan bege por cima da camisola florida enquanto mexia ovos numa frigideira. A chaleira soltava vapor ao lado das torradas já prontas em um prato rachado.

— A febre baixou? — ela perguntou sem desviar os olhos do fogão.

— Um pouco.

Ela colocou uma caneca de café na mesa pequena perto da sala enquanto eu me sentava na cadeira de madeira já torta pelo tempo.

Passei a mão no rosto cansado observando os armários quase vazios.

Da última compra que fiz sobrará apenas duas caixas de macarrão, leite suficiente talvez para hoje e uma maçã na fruteira.

Comecei a fazer contas na minha cabeça do que precisaria comprar para sobreviver mais uma semana, ou duas: Remédio do Noah, conta de luz atrasada, aluguel sexta-feira e compras no mercado.

Minha avó colocou ovos e torradas no prato diante de mim antes de perceber meu olhar preso nos armários.

— Eu consigo fazer sopa hoje — ela disse, sua voz era calma por mais que estivesse preocupada como eu. — Ainda temos legumes congelados.

Balancei a cabeça de forma negativa.

— Acho que aqueles legumes já morreram faz uns três meses.

— Savannah.

— Tô brincando.

Peguei a caneca de café quente entre as mãos e tomei um gole enquanto sentia o corpo inteiro implorando por descanso, mas descanso não comprava comida e nem remédio.

Peguei uma torrada correndo enquanto procurava meus sapatos.

— Você devia pedir folga hoje.

Eu quase engasguei de tanto rir.

— Claro. Porque executivos milionários são super compreensivos com mães solteiras pobres.

Ela me observou em silêncio e eu sabia o que ela estava pensando.

Ela sabia que eu estava cansada, que eu trabalhava demais e que desde que Oliver foi embora logo depois do nascimento do Noah, eu nunca mais tinha parado de correr.

“Não tô pronto pra essa responsabilidade.”

Filho da puta, ainda consigo ouvir isso na minha cabeça às vezes.

— Sua saúde importa, Savannah.

— Minha conta de luz também.

Ajeite um pouco mais meu uniforme e peguei minha bolsa surrada, enquanto colocava meus sapatos.

— Se a febre dele aumentar, me liga.

— Vou ligar. — Fez uma pausa — Você precisa cuidar de si mesma.

Minha mão parou na maçaneta, mas logo saí do apartamento sem ter uma resposta adequada. Desci as escadas correndo enquanto a chuva lá fora caía pesada.

O ônibus provavelmente já tinha passado no ponto de ônibus e eu teria que esperar outro.

Suspirei e a chuva bateu na minha cara no segundo em que saí do prédio.

— Porra, esqueci meu guarda—chuva.

Apertei a bolsa contra o corpo e comecei a correr pela calçada lotada, desviando de guarda-chuvas, gente mal-humorada e poças que pareciam surgir no meu caminho de propósito.

Quando virei a esquina, vi o ônibus arrancando.

— Não. Não, não, não!

Corri mais rápido, tentando alcançar o ônibus em vão.

Parei ofegante debaixo da chuva enquanto algumas pessoas me encaravam como se eu fosse surtar ali mesmo.

Olhei o celular vendo que eram 7h19 e meu turno começava às oito e o prédio em que eu trabalhava era do outro lado da cidade.

O próximo ônibus demoraria séculos e o metrô estaria um caos naquela chuva.

Senti vontade de gritar e o pensamento que Deus estaria tirando férias naquele dia passou pela minha cabeça.

Continuei andando rápido em direção ao metrô, entrei espremida em um vagão entre um homem fedendo a cigarro e uma mulher falando alto no telefone sobre traição.

— Se ele curtiu foto da ex às duas da manhã, ele quer comer ela de novo, Vanessa! Abre os olhos!

O metro de Nova York era ótimo para se escutar fofocas quentes.

Segurei na barra acima da cabeça enquanto tentava organizar tudo o que precisava fazer quando chegasse.

Meu celular vibrou dentro do bolso. Atendi de imediato.

— Alô? O que aconteceu? Noah piorou?!

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