Mundo ficciónIniciar sesiónSavannah Hayes é uma mãe solteira que trabalha em três empregos para sustentar o filho asmático e a avó idosa em um apartamento pequeno e mofado em Nova York. Já Damien Sinclair é o CEO frio e obsessivo da Sinclair Corporation, um homem conhecido por transformar trabalho em religião e destruir qualquer um que atrapalhe seus negócios. Depois de um encontro desastroso na rua, o destino piora tudo quando ela acaba, por uma brincadeira do destino, assumindo o cargo de secretária pessoal do CEO. Agora tendo que lidar direto com seu chefe ela tem que sobreviver ao mundo corporativo, segredos, mal entendido e tanto ódio quanto atração pelo chefe bonitão e arrogante.
Leer másSAVANNAH HAYES
O despertador tocou pela segunda vez e eu tive vontade de arremessar aquela porcaria pela janela. Todavia desisti no mesmo instante ao lembrar que a janela já mal fechava direito. O vidro velho tremia com o vento e deixava a chuva fria entrar pelas frestas da madeira apodrecida. A cortina balançava, enquanto o cheiro de mofo impregnava cada canto da quitinete que consistia em dois quartos minúsculos, um banheiro apertado e uma cozinha interligada à sala tão pequena que, se alguém abrisse a geladeira resfriaria tanto a sala quanto a cozinha. O pior da quitinete eram as paredes que tinham manchas escuras de mofo espalhadas perto do teto, apesar de todas as tentativas que eu fazia para limpar. Aquilo só piorava a saúde do meu filho asmático, porém um aluguel barato em Nova York não vinha com luxo de escolher paredes sem mofo. E eu já estava trabalhando em três empregos só pra manter aquele lugar caindo aos pedaços. Meu filho dormia nos meus braços, febril, suado e irritado depois de passar a noite inteira tentando respirar com dificuldade. — Noah, meu amor, tenta dormir mais um pouquinho… Ele se remexeu manhoso contra meu peito, tossindo baixo antes de apertar mais forte o seu ursinho preferido Sentei na beirada da cama estreita enquanto afastava o cabelo úmido da testa dele. Noah respirava com dificuldade. Peguei o termômetro na cômoda e este marcou 38,7° C. — Merda… Noah resmungou baixinho quando peguei o remédio infantil ao lado da sua bombinha de asma. O medidor de plástico tremia entre meus dedos cansados. — Amor, precisa tomar isso pra mamãe, tá bom? Ele fez uma careta sonolenta. — Ruim… — Eu sei, mas confia em mim. É para você melhorar. Aproximei a colher da boca dele devagar. Noah tomou reclamando, ainda abraçado no ursinho velho. Passei o polegar no cantinho da boca dele antes de beijar sua testa quente. — Tenta dormir mais um pouco pra mim. Ele murmurou alguma coisa incompreensível e virou pro lado devagar, puxando a coberta fina até o rosto. Levantei devagar da cama fazendo o possível pra não acordá-lo e saí do quarto de forma silenciosa. A porta rangeu baixo quando fechei e o cheiro de café fresco invadiu o corredor minúsculo. Minha avó estava na cozinha improvisada, usando um cardigan bege por cima da camisola florida enquanto mexia ovos numa frigideira. A chaleira soltava vapor ao lado das torradas já prontas em um prato rachado. — A febre baixou? — ela perguntou sem desviar os olhos do fogão. — Um pouco. Ela colocou uma caneca de café na mesa pequena perto da sala enquanto eu me sentava na cadeira de madeira já torta pelo tempo. Passei a mão no rosto cansado observando os armários quase vazios. Da última compra que fiz sobrará apenas duas caixas de macarrão, leite suficiente talvez para hoje e uma maçã na fruteira. Comecei a fazer contas na minha cabeça do que precisaria comprar para sobreviver mais uma semana, ou duas: Remédio do Noah, conta de luz atrasada, aluguel sexta-feira e compras no mercado. Minha avó colocou ovos e torradas no prato diante de mim antes de perceber meu olhar preso nos armários. — Eu consigo fazer sopa hoje — ela disse, sua voz era calma por mais que estivesse preocupada como eu. — Ainda temos legumes congelados. Balancei a cabeça de forma negativa. — Acho que aqueles legumes já morreram faz uns três meses. — Savannah. — Tô brincando. Peguei a caneca de café quente entre as mãos e tomei um gole enquanto sentia o corpo inteiro implorando por descanso, mas descanso não comprava comida e nem remédio. Peguei uma torrada correndo enquanto procurava meus sapatos. — Você devia pedir folga hoje. Eu quase engasguei de tanto rir. — Claro. Porque executivos milionários são super compreensivos com mães solteiras pobres. Ela me observou em silêncio e eu sabia o que ela estava pensando. Ela sabia que eu estava cansada, que eu trabalhava demais e que desde que Oliver foi embora logo depois do nascimento do Noah, eu nunca mais tinha parado de correr. “Não tô pronto pra essa responsabilidade.” Filho da puta, ainda consigo ouvir isso na minha cabeça às vezes. — Sua saúde importa, Savannah. — Minha conta de luz também. Ajeite um pouco mais meu uniforme e peguei minha bolsa surrada, enquanto colocava meus sapatos. — Se a febre dele aumentar, me liga. — Vou ligar. — Fez uma pausa — Você precisa cuidar de si mesma. Minha mão parou na maçaneta, mas logo saí do apartamento sem ter uma resposta adequada. Desci as escadas correndo enquanto a chuva lá fora caía pesada. O ônibus provavelmente já tinha passado no ponto de ônibus e eu teria que esperar outro. Suspirei e a chuva bateu na minha cara no segundo em que saí do prédio. — Porra, esqueci meu guarda—chuva. Apertei a bolsa contra o corpo e comecei a correr pela calçada lotada, desviando de guarda-chuvas, gente mal-humorada e poças que pareciam surgir no meu caminho de propósito. Quando virei a esquina, vi o ônibus arrancando. — Não. Não, não, não! Corri mais rápido, tentando alcançar o ônibus em vão. Parei ofegante debaixo da chuva enquanto algumas pessoas me encaravam como se eu fosse surtar ali mesmo. Olhei o celular vendo que eram 7h19 e meu turno começava às oito e o prédio em que eu trabalhava era do outro lado da cidade. O próximo ônibus demoraria séculos e o metrô estaria um caos naquela chuva. Senti vontade de gritar e o pensamento que Deus estaria tirando férias naquele dia passou pela minha cabeça. Continuei andando rápido em direção ao metrô, entrei espremida em um vagão entre um homem fedendo a cigarro e uma mulher falando alto no telefone sobre traição. — Se ele curtiu foto da ex às duas da manhã, ele quer comer ela de novo, Vanessa! Abre os olhos! O metro de Nova York era ótimo para se escutar fofocas quentes. Segurei na barra acima da cabeça enquanto tentava organizar tudo o que precisava fazer quando chegasse. Meu celular vibrou dentro do bolso. Atendi de imediato. — Alô? O que aconteceu? Noah piorou?!DAMIEN SINCLAIR Durante o dia, eu voltava a enfrentar reuniões intermináveis, investidores impacientes e decisões capazes de movimentar bilhões de dólares com uma única assinatura. Savannah permanecia ao meu lado na Sinclair Corporation, reorganizando minha agenda antes mesmo que eu tivesse tempo de bagunçá-la outra vez, enquanto Noah começava a descobrir um universo completamente novo na Academia Saint Edmund & Kingsbridge. Mas o melhor momento do meu dia nunca acontecia dentro da empresa. Acontecia exatamente no instante em que as portas do elevador privativo se abriam no último andar. Naquela noite, assim que entrei no apartamento e afrouxei discretamente a gravata, ouvi passos apressados vindo do corredor. — Pai! Mal tive tempo de levantar a cabeça. Noah surgiu correndo em minha direção com a mochila ainda pendurada em um dos ombros e se lançou sobre mim. Por instinto, abaixei-me para segurá-lo antes que nós dois acabássemos no chão, e ele passou os braços ao redor do meu
DAMIEN SINCLAIR — Eu imaginava que esse pudesse ser o procedimento. — falei, minha voz calma como sempre. O funcionário sorriu, satisfeito por encontrar alguém compreensivo. — Fico feliz que entenda. Alguns pais insistem bastante quando descobrem que precisarão aguardar, mas fazemos questão de preservar a adaptação das turmas e o calendário pedagógico. É uma tradição da academia. — Ele deslizou o dedo pela tela do tablet. — Se desejarem, posso agendar uma visita institucional para os próximos meses. Assim vocês conhecerão as instalações, conversarão com nossa equipe pedagógica e participarão da apresentação oficial antes da abertura do processo seletivo. Costumamos organizar esses encontros com bastante antecedência.— Gosto de coisas organizadas, certo, querida? — olhei para Savannah e ela assentiu com a cabeça. Olhou de novo para a agenda digital. — Deixe-me verificar... acredito que tenhamos disponibilidade para uma visita guiada daqui a oito semanas. É um prazo confortá
DAMIEN SINCLAIR O carro reduziu a velocidade pouco antes de alcançar os grandes portões de ferro ornamentado. Savannah desceu do carro com a calma de quem ainda tentava absorver tudo o que havia acontecido desde que deixáramos a Sinclair Corporation. Assim que colocou os dois pés sobre o calçamento de pedras claras, fechou a porta com cuidado e girou de forma lenta o corpo, deixando o olhar passear por toda a propriedade diante de nós. Por alguns segundos, ela não disse nada. Talvez nem mesmo conseguisse, mesmo que tentasse. A longa alameda arborizada parecia conduzir até um antigo palácio europeu. O prédio principal, construído em pedra clara, exibia enormes colunas, janelas arqueadas e um relógio monumental acima da entrada. Jardins perfeitamente aparados cercavam o edifício, fontes de mármore espalhavam o som suave da água pelo campus e bandeiras tremulavam diante da fachada, enquanto estudantes caminhavam com tranquilidade pelos corredores externos. Para eles tudo aquil
DAMIEN SINCLAIR Respirei fundo antes de quebrar o silêncio.Havia uma coisa que estava ocupando meus pensamentos desde que voltáramos de Paris, mas, entre o trabalho acumulado, a readaptação à rotina e todas as pequenas mudanças que um casamento trazia, eu simplesmente não encontrara o momento certo para tocar no assunto.Agora, porém, já não fazia sentido adiar.— Esqueci de falar uma coisa importante.— Aconteceu alguma coisa?Balancei a cabeça com calma.— É sobre o Noah.Assim que ouviu o nome do filho, seus ombros relaxaram visivelmente. Ela soltou o ar devagar e levou uma das mãos ao peito, como se tivesse acabado de afastar um susto.— O Noah?Assenti.— Sim, sobre a escola dele.Por um breve momento, ela apenas piscou algumas vezes.— O que tem a escola dele? — ela perguntou, curiosa.— A escola dele não é mais adequada para o novo padrão de vida de nosso filho.— Como assim? — Ela gaguejou. — Savannah... eu sei que você fez o melhor que podia. Sei que, durante muito tempo,





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