A luz dourada do fim da tarde atravessa os vitrais da Igreja de Santa Marta e se espalha em feixes coloridos pelo salão da recepção, tingindo de esperança cada rosto presente. O ar parece carregado de algo sagrado, como se a fé, a alegria e as lágrimas de todos se misturassem em uma única oração silenciosa. As velas acesas lançam um brilho cálido, e o som distante de uma música suave completa o cenário de devoção e ternura. É nesse instante que Jonathan volta a falar, erguendo-se diante da família e dos amigos, ainda com a emoção evidente na voz.
— Muitos de vocês sabem... começa ele, a voz embargada.
— Jeff e Lua nasceram juntos, mas não cresceram lado a lado nos primeiros meses de vida.
O silêncio toma o salão. Até as crianças, antes agitadas, parecem compreender a gravidade do que está sendo dito. Os olhares se voltam para o casal que, mais do que ninguém, conheceu o peso da dor e da espera.
Jonathan inspira fundo, as palavras tremendo em seus lábios.
— Foi uma dor que não desejo