O corredor do shopping vibra com risos, música ambiente e o vai e vem apressado das pessoas, mas para Vivian, o mundo parece suspenso em um silêncio sufocante. Os passos ecoam, firmes, acompanhando os de Marta, mas dentro dela há apenas um tumulto de lembranças que queimam, um nome que lateja e a sensação amarga de ter se permitido demais. Rui. O nome explode em sua mente como uma confissão que não ousa repetir em voz alta. A cada vitrine iluminada, a cada criança correndo com balões nas mãos, ela sente a distância entre o que mostra ao mundo e o que realmente vive por dentro.
— Você está estranha hoje… observa Marta, franzindo o cenho ao perceber a inquietação da amiga.
— O que houve?