Nada, absolutamente nada, prepara o coração humano para mentir com ternura, mas, às vezes, é justamente esse amor disfarçado de esperança que mantém alguém vivo. Islanne sabia disso mais do que ninguém ao entrar na UTI. O cheiro ácido de álcool e desinfetante queimava-lhe as narinas, enquanto o som ritmado e frio dos monitores parecia zombar da fragilidade da vida.
Ela caminhava devagar, com o avental limpo, as luvas ajustadas, os olhos firmes, embora o peito ardesse num turbilhão de sentimento