Mundo ficciónIniciar sesiónNathan estacionou a Mercedes-Benz Classe S preta em frente ao prédio de tijolos claros.
A fachada era bastante discreta para os padrões de Manhattan, mas havia algo de aconchegante na simplicidade. Uma placa de madeira off-white exibia o nome “Studio de Ballet Joanne Dashwood” em uma fonte manuscrita. Dois vasos longos com flores de lavanda ladeavam a porta de vidro. O fumê da porta e das janelas impedia a visão interna.
Bastante adequado para um local frequentado por crianças. Todo cuidado era pouco.
Emma exclamou no banco traseiro:
— Papai, estou com friozinho na barriga.
— É natural, princesinha. Também me sinto assim em situações novas.
— Adultos também ficam com medo? — Ela franziu o cenho.
— Todas as pessoas sentem medo — disse ao destravar o cinto de segurança. — Mas quem é corajoso de verdade não foge das dificuldades.
— E se minha professora não gostar de mim? — Emma fez bico.
— É impossível não gostar de você. — Nathan sorriu. — Agora vamos.
Desceram do carro e foram até a porta de mãos dadas.
Antes de tocar a campainha, o pai sussurrou para a filha: “Vai dar tudo certo.”
Uma mulher loira, muito bonita, atendeu. Seu sorriso alcançava os olhos azuis com um toque de gentileza. O cabelo estava preso em um coque milimetricamente arrumado. Ela usava saia transpassada e collant pretos, meia-calça branca e uma sapatilha rosa de meia ponta. Devia ser uma das professoras.
A recepção tinha cheiro de baunilha e lavanda. A decoração minimalista, com detalhes em rosa claro, dava uma sensação de alívio aos olhos. O local era pequeno, porém muito organizado e limpo, sem a aparência de luxo exagerado presente em tantos estabelecimentos de Manhattan. Nathan costumava preferir discrição à ostentação. E Emma precisava aprender desde pequena que dinheiro era bom, mas não tudo na vida.
— Bom dia. — A bailarina loira sorriu.
— Bom dia. — Nathan acenou de leve com a cabeça.
No entanto, antes que ele pudesse perguntar sobre horários e valores, as atenções da mulher se voltaram a Emma. Com a postura relaxada de quem sabe exatamente o que fazer, ela se agachou para igualar as alturas.
— Meu nome é Sophia, prazer em conhecer você — disse com gentileza. — Sou a professora oficial dos giros, das piruetas e dos coques que se desfazem na hora da aula.
A menina sorriu, tímida.
Nathan só observou a cena, satisfeito em constatar que Sophia tinha jeito com crianças. Não esperava menos de uma professora de ballet infantil, mas já tinha ouvido falar que algumas eram rígidas. Talvez tivesse feito a escolha certa ao evitar os estúdios mais famosos.
— Posso te mostrar a escola? — Sophia perguntou.
Emma levantou os olhos para Nathan como se pedisse permissão.
— Estarei bem atrás de vocês — assegurou.
Sempre muito solícita, Sophia mostrou o vestiário, os banheiros e as salas de dança. Quando chegou ao último estúdio, apontou a barra:
— Ali é onde a gente se apoia para não perder o equilíbrio.
Em seguida, foi até o espelho:
— O espelho não serve para ver quem é a mais bonita, mas para nos ajudar a melhorar os movimentos.
Nathan percebeu que Emma começava a relaxar. Ela olhava ao redor com curiosidade, concentração e talvez até certo fascínio. Seus olhos verdes brilhavam como duas estrelas. A cena era bonita de ver e Nathan ficou feliz por ter concordado em matricular a filha no ballet.
— — —
De volta à recepção, Emma tentava encaixar uma sapatilha rosa no pé enquanto Nathan respondia às perguntas de Sophia.
— Nome completo?
— Emma Elizabeth Fletcher.
— Idade?
— Seis anos.
— Alguma alergia ou problema de saúde?
— Não.
Sophia preencheu as informações no tablet e imprimiu o contrato. Ao entregá-lo a Nathan, disse:
— A mensalidade corresponde a duas aulas por semana, cada aula com uma hora de duração, e uma apresentação no final do semestre.
— Vocês aceitam pagamento anual? — Nathan desviou os olhos do contrato e encarou Sophia.
Por um momento, pensou ter visto uma centelha de hesitação no rosto da professora, mas ela logo sorriu e balançou a cabeça em negativa.
— Aceitamos somente mensalidades.
— Certo — assentiu.
Olhou Emma de relance. A menina, já de sapatilhas, rodopiava pela recepção. Parecia tão feliz que Nathan sentiu o coração aquecer. Talvez a pequena escola de ballet fosse exatamente o lugar onde ela devia estar. E, por algum motivo, ele teve a estranha sensação de que também deveria estar ali.
Assinou o contrato.
— Quer fazer uma aula experimental? — Sophia perguntou a Emma.
— Posso, pai?
— Pode.
A menina correu para o estúdio, os pés fazendo um pouco de barulho no chão de madeira. Sophia a acompanhou.
Sozinho na recepção silenciosa, Nathan se sentou em uma das poltronas e pegou o celular para resolver questões de trabalho. Mas, antes de mergulhar nos contratos, burocracias e e-mails, deixou que os olhos percorressem o ambiente.
Surpreendeu-se ao reparar em um dos retratos na parede. A bailarina que saltava na foto era Sophia, talvez uma década mais jovem. Ela estava no centro de um palco, vestida em um tutu rosa. O olhar exalava autoconfiança. A imagem transmitia força e leveza ao mesmo tempo.
Nathan ficou curioso. Sophia já tinha sido uma bailarina profissional?







