Mundo de ficçãoIniciar sessãoIsadora Duarte sempre acreditou que a moda deveria vestir mulheres, não padrões. Aos 22 anos, ela trabalha como vendedora em uma luxuosa boutique de São Paulo enquanto alimenta, em silêncio, o sonho de se tornar uma grande estilista. Dona de um talento extraordinário, ela cria roupas que valorizam corpos reais como o seu. Plus size, romântica e dona de uma personalidade afiada, Isadora aprendeu a enfrentar o preconceito com elegância e a nunca abaixar a cabeça diante de ninguém. Nem mesmo diante de Leonardo Vasconcelos. Aos 30 anos, Leonardo é um dos empresários mais influentes do país. Frio, controlador e acostumado a ser obedecido, ele nunca precisou conquistar nada duas vezes. Até conhecer a única mulher que não se impressiona com seu sobrenome, sua fortuna ou seu poder. O primeiro encontro entre os dois termina em provocações. O segundo desperta uma curiosidade inesperada. No terceiro, Leonardo percebe que Isadora enxerga a moda com o olhar de uma verdadeira estilista. E é nesse momento que ele decide, em segredo, mudar o destino dela. Sem revelar sua participação, Leonardo movimenta os bastidores e faz com que Isadora receba a oportunidade que sempre sonhou: trabalhar na criação de uma das maiores empresas de moda do país. O que ela não imagina é que, ao atravessar aquelas portas, estará entrando no mundo do homem que jurou manter bem longe da sua vida. Entre passarelas, croquis desaparecidos, ambições, orgulho e uma atração impossível de ignorar, Isadora descobrirá que alguns sonhos têm um preço. E Leonardo aprenderá que existem mulheres que não podem ser compradas, controladas ou conquistadas com dinheiro. Porque, quando duas pessoas acostumadas a desafiar o mundo se encontram, o amor deixa de ser um conto de fadas... e se torna a maior batalha de suas vidas.
Ler maisParte 1
O aroma de couro italiano misturado ao perfume amadeirado que preenchia a loja era uma das poucas coisas que Isadora Duarte realmente apreciava em seu trabalho. Ela acreditava que lugares também contavam histórias. Aquela boutique de luxo, instalada na rua mais elegante dos Jardins, em São Paulo, narrava a história de pessoas que nunca precisavam perguntar o preço de uma peça. Tudo ali era impecável. O mármore claro refletia a luz dos enormes lustres de cristal. Araras douradas exibiam vestidos assinados por grandes estilistas internacionais. Bolsas limitadas descansavam em nichos iluminados como obras de arte. O silêncio era interrompido apenas pelo som discreto dos saltos das clientes e pela música clássica que tocava ao fundo. Isadora passou delicadamente a mão sobre o tecido de um vestido de seda. Mesmo depois de quase três anos trabalhando ali, ainda admirava o caimento perfeito das roupas. Não porque desejasse possuí-las. Mas porque sempre imaginava como faria diferente. Ela enxergava erros onde outros viam perfeição. "O recorte poderia ser mais limpo..." "A cintura ficaria melhor dois centímetros acima..." "Esse tecido merecia um acabamento francês..." Sua cabeça nunca parava de criar. — Isadora... A voz da gerente interrompeu seus pensamentos. — Sim, dona Cláudia? — Não esqueça que hoje teremos um cliente muito importante. Ela assentiu. — Alguma celebridade? — Pior. Isadora arqueou uma sobrancelha. — Empresário. As duas riram. — O nome dele é Leonardo Vasconcelos. — Nunca ouvi falar. — Porque você vive desenhando e não lê revistas de negócios. — Justo. Cláudia aproximou-se e abaixou a voz. — Dizem que ele é extremamente exigente. — Cliente exigente não me assusta. — Dizem que já fez gerente de hotel pedir demissão. Isadora soltou uma risada. — Aí o problema não é o cliente... — É o quê? — É o gerente. Cláudia balançou a cabeça. — Você tem resposta para tudo. — Ainda bem. Faz parte do trabalho. As duas voltaram aos afazeres. Mas, vinte minutos depois, a porta automática da boutique se abriu. O ambiente pareceu mudar. Não porque alguém anunciasse sua chegada. Mas porque algumas pessoas tinham uma presença que ocupava o espaço antes mesmo de dizer uma palavra. Um homem alto entrou acompanhado apenas de um segurança que permaneceu do lado de fora. O terno preto sob medida parecia ter sido feito para aquele corpo. O relógio discreto no pulso custava mais do que muitos carros. Os cabelos escuros estavam perfeitamente alinhados. A barba curta desenhava um rosto de traços marcantes. Mas eram os olhos que chamavam atenção. Cinzentos. Frios. Observadores. Ele percorreu toda a loja com um único olhar. Como se estivesse avaliando cada detalhe. Cada funcionário. Cada peça. Cada centímetro daquele ambiente. Cláudia caminhou rapidamente em sua direção. — Senhor Vasconcelos, seja muito bem-vindo. Ele apenas fez um leve aceno. — Tenho uma prova marcada. — Claro. A Isadora será responsável pelo seu atendimento. Antes que a gerente pudesse chamá-la, Leonardo já olhava diretamente para ela. Os olhos dele demoraram um segundo além do necessário. Não por interesse. Por análise. Como se tentasse entender por que aquela jovem, de vestido floral delicado e fita métrica pendurada no pescoço, trabalhava em uma loja daquele padrão. Isadora caminhou até ele sem demonstrar qualquer nervosismo. Sorriu profissionalmente. — Bom dia, senhor Vasconcelos. — Bom dia. — Podemos ir até a sala de atendimento? Ele apenas assentiu. Durante o caminho, Isadora percebeu que ele observava discretamente as vitrines. Não admirando. Julgando. Entraram em uma sala reservada. Ali havia espelhos dos dois lados, sofás de couro, iluminação perfeita e um provador exclusivo. Ela pegou um tablet. — A gerente informou que o senhor procura um smoking para o baile beneficente da Fundação Vasconcelos. Ele ergueu uma sobrancelha. — Você pesquisou. — Eu gosto de saber quem estou atendendo. — Interessante. Ela sorriu de leve. — Facilita meu trabalho. Leonardo retirou o paletó com naturalidade. Ela manteve a postura profissional. Já havia atendido homens bonitos antes. E ele, embora chamasse atenção, era apenas mais um cliente. Ou pelo menos era isso que ela dizia para si mesma. — O senhor prefere um corte clássico ou contemporâneo? — Qual você escolheria? Ela levantou os olhos do tablet. — Está perguntando como vendedora ou como estilista? Pela primeira vez, Leonardo pareceu realmente prestar atenção nela. — Você é estilista? — Ainda não. — Então por que respondeu assim? Ela sorriu. — Porque pretendo ser. O silêncio durou alguns segundos. Depois ela caminhou até um cabide. Retirou um smoking azul-marinho de uma coleção recém-chegada. — Esse. Leonardo observou a peça. — Não foi o mais caro. — O senhor pediu o melhor. Não o mais caro. Ele cruzou os braços. — E qual a diferença? Isadora sustentou o olhar dele sem hesitar. — Uma peça cara compra status. Uma peça bem escolhida revela personalidade. O ambiente ficou silencioso. Ela percebeu que havia provocado o homem errado. Ou talvez... O homem certo. Leonardo aproximou-se um passo. — Você costuma contrariar seus clientes? — Só quando eles confundem preço com qualidade. A frase escapou antes que pudesse filtrá-la. Cláudia, que observava discretamente pela porta entreaberta, levou a mão à testa. "Meu Deus... ela acabou de afrontar Leonardo Vasconcelos." Mas, para surpresa de todos... Ele não ficou irritado. Apenas a encarou. Longamente. Como se estivesse tentando decidir se aquela garota era extremamente corajosa... Ou completamente inconsequente. Continua..."Às vezes, a vida muda sem fazer barulho. Ela apenas abre uma porta que você jamais imaginou atravessar."Isadora sempre acreditou que os grandes acontecimentos vinham acompanhados de sinais.Um telefonema inesperado.Uma notícia extraordinária.Um encontro capaz de mudar tudo.Naquela terça-feira, porém, o dia começou exatamente como todos os outros.O despertador tocou às seis e meia da manhã.Ela desligou o alarme ainda sonolenta, prendeu os cabelos em um coque desalinhado e caminhou até a pequena cozinha do apartamento. Enquanto a cafeteira espalhava o aroma familiar do café fresco, seus olhos passeavam pelos croquis presos na parede do ateliê improvisado.Era um ritual silencioso.Todas as manhãs, antes de sair para o trabalho, ela observava seus desenhos por alguns segundos.Como quem lembrava a si mesma do motivo de continuar lutando.Seu olhar parou em um vestido de linhas delicadas, desenhado para mulheres de quadris largos e cintura marcada.Ela sorriu.— Um dia...Passou a
A cidade ainda despertava quando Leonardo Vasconcelos estacionou diante da sede da Vasconcelos Group Fashion.O prédio de vidro refletia o céu cinzento daquela segunda-feira, impondo-se sobre a avenida como um símbolo do império construído pela família Vasconcelos ao longo de três gerações.Centenas de pessoas passavam diariamente por aquelas portas de vidro.Pouquíssimas conseguiam permanecer.Ali, talento era obrigatório.Excelência, o mínimo esperado.Leonardo atravessou o saguão sem diminuir o passo. Os funcionários o cumprimentavam discretamente conforme ele passava.— Bom dia, doutor Leonardo.— Bom dia.— Bom dia, senhor.Ele respondia apenas com um leve aceno.Pontualidade, disciplina e foco.Era assim que conduzia a própria vida.Mas, naquela manhã, havia algo incomum.Pela terceira vez desde o desfile, a imagem de um vestido azul-lavanda atravessou seus pensamentos.E, junto dela, veio uma voz firme."Parece uma coleção feita para impressionar críticos. Não para vestir pesso
Os flashes iluminavam a entrada principal do evento como pequenas explosões de luz.Fotógrafos disputavam espaço atrás das grades de proteção, enquanto jornalistas anunciavam a chegada de empresários, artistas, modelos e estilistas renomados. O salão principal do Hotel Imperial havia sido completamente transformado. Um longo tapete em tons de champagne conduzia os convidados até o grande salão onde a passarela ocupava o centro do ambiente.Isadora parou por um instante antes de entrar.Respirou fundo.Desde criança, sonhava em assistir a um desfile daquele porte. Não pela fama. Nem pelos famosos.Mas pela moda.Pela arte.Pela possibilidade de aprender observando quem já havia chegado onde ela tanto desejava estar.— Está pronta? — perguntou Rafael, estendendo o braço.Ela sorriu.— Acho que nunca estive tão pronta.Os dois seguiram juntos até a recepção.Enquanto uma recepcionista conferia seus convites, outra entregava uma pulseira dourada de acesso VIP.— Fileira B. Lugares doze e
A manhã de segunda-feira começou diferente.Assim que Isadora entrou na boutique, percebeu que havia algo fora do comum.As vitrines estavam impecáveis, como sempre. O perfume suave que caracterizava a loja misturava-se ao aroma de café recém-passado vindo da sala da gerência. Algumas colegas conversavam animadas perto do caixa, enquanto Cláudia caminhava de um lado para o outro segurando uma prancheta.— Bom dia! — cumprimentou Isadora.Amanda sorriu imediatamente.— Até que enfim você chegou!— Aconteceu alguma coisa?Amanda aproximou-se como quem guardava um segredo.— Aconteceu.— Boa ou ruim?— Maravilhosa.Antes que pudesse perguntar novamente, Cláudia bateu palmas chamando a atenção da equipe.— Meninas, podem vir até aqui, por favor.As conversas cessaram.As oito consultoras de vendas formaram um pequeno semicírculo diante da gerente.Cláudia respirou fundo, segurando um sorriso.— Quero começar agradecendo o empenho de todas vocês. Este foi o melhor mês da boutique desde a i





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