CAPÍTULO 2

Horas se passaram. Thaís e Ana foram ao banheiro, provaram todos os drinks sem álcool que apareceram e comeram de tudo o que lhes fora oferecido — tinham saído às pressas de casa e não haviam jantado.

Quando voltaram ao salão, o ambiente havia mudado. As luzes estavam mais baixas, douradas e íntimas; a música acelerada deu lugar a uma melodia lenta e envolvente. Casais giravam na pista, colados, sorrindo. E um detalhe chamou a atenção das duas: todos usavam máscaras elegantes, de veludo e renda, que escondiam metade do rosto.

Dois funcionários se aproximaram e explicaram, com um sorriso discreto: as máscaras tinham sido distribuídas porque o casal que dançasse melhor subiria ao palco e ganharia um prêmio especial — algo reservado só aos vencedores da noite.

Ana se animou na hora, os olhos brilhando de expectativa. Imaginava um prêmio grandioso, digno daquela festa chique de uma empresa milionária. Colocou logo a máscara que lhe foi entregue, ajeitou o cabelo e ficou à espera de um par.

Thaís tentou escapar da competição. Não era fã de holofotes; preferia ficar na borda, observando. Mas não houve escolha: era uma dinâmica obrigatória. Foi aí que tudo começou.

Ana encontrou um par — um homem alto, forte, de ombros largos, e mesmo por trás da máscara dava para perceber o contorno de um rosto bonito e o brilho confiante no olhar.

— Olá, linda, tudo bem? — ele disse, aproximando-se com um sorriso seguro.

— Você me daria a honra de me acompanhar nessa dança? Ana hesitou por um segundo, sentindo o calor subir às bochechas, mas aceitou, estendendo a mão.

Thaís, por sua vez, procurou um cantinho perto de uma coluna, tentando se tornar invisível. Era tímida; vendo que Ana se acupava dançando e sem localizar seu pai no meio da multidão, só queria um lugar discreto para passar o tempo. Foi quando uma voz arrastada, impregnada de álcool, surgiu bem atrás dela:

— Tá indo pra onde, belezinha? A festa é pra cá! — Ele fez um gesto com a mão indicandoamultidão, o hálito pesado chegando até ela. — Vem dançar comigo.

Thaís se virou devagar e, antes mesmo de encará-lo de frente, percebeu: o homem estava bêbado, os olhos vidrados, o sorriso torto.

— Eu não vou dançar, obrigado — respondeu rápido, dando dois passos para trás, o coração disparando.

O homem franziu a testa, irritado com a recusa. Avançou, agarrou o braço dela com força, os dedos apertando sua

pele.

— Eu não pedi pra dançar com você, eu te dei uma ordem. Sabe quem eu sou?

Ela empalideceu. Os olhos se arregalaram, a respiração ficou curta, a voz presa na garganta.

Vendo o medo nos olhps dela, ele sorriu malicioso, inclinando-se mais perto.

— Calma, belezinha, é só uma dança — sussurrou, o rosto a centímetros do dela. — Mas se você quiser algo mais, eu também posso te dar.

A voz, que antes não saía, saiu alta e firme:

— ME SOLTA AGORA, SEU DOENTE!

Thaís era simples, simpática, humilde e às vezes tímida — mas não era medrosa. O pai a criara para ser guerreira, principalmente nesses momentos. Sim, o susto veio, o aperto no braço doía; mas ela não estava sozinha. Bastava fazer barulho que alguém apareceria. E apareceu.

Quando o homem se preparava para se aproximar ainda mais, para encurralá-la contra a coluna, uma voz grave e cortante ecoou atrás dele, como uma lâmina:

— Você não ouviu? Solte-a AGORA!

O homem nem se deu ao trabalho de olhar. Continuou segurando Thaís e respondeu, debochado:

— Vai procurar outra vadia pra você. Essa belezinha aqui é minha. _ Foi seu último erro da noite.

No segundo em que a última palavra saiu da sua boca, ele foi puxado pelo colarinho e recebeu um soco seco, preciso, no nariz. O estalo foi abafado pela música, mas a dor foi real.

— Vou te dar só uma amostra grátis — disse o homem que agora estava à frente dele, voz baixa, controlada, mas carregada de ameaça.

— Engole essa dor até chegar em casa. Não quero escândalo durante festa.

— Wesley, acompanhe esse cachorro até a saída.—ordenou, sem tirar os olhos do agressor. — Mas... sem chamar atenção. — Entendido, chefe!

Wesley segurou o homem pelo braço e o conduziu para fora, rápido e discreto.

O homem se virou para Thaís. A luz do salão destacava a linha firme do queixo dele, o olhar intenso, a postura que impunha respeito.

— Você tá bem?

— S-sim... o-obrigado, senhor — Thaís, que quase nunca gaguejava, sentiu a voz falhar diante da presença imponente dele. O pulso ainda latejava onde o homem a segurara.

— Não precisa agradecer. Eu ouvi o que aquele maldito disse. Você é pequena, mas é corajosa.

— Mas, da próxima vez, não fique tão afastada se estiver sozinha. — Ele apontou para a pista, onde os casais dançavam. — Mesmo que você grite, com essa distância e o barulho da música, você acha mesmo que alguém te salvaria a tempo?

A preocupação do homem, era nítida, porém, aos ouvidos de Thaís, pareceu mais uma acusação do quê um aviso amigável, ela já estava Abalada, aguentar o bafo e o atrevimento do pervertido já era desaforo demais pra um dia só, com esse pensamento, Thaís, que até então só sentia gratidão, ao ouvir a última frase do homem a sua frete, respirou fundo. O tom frio dele a fez endireitar a coluna, erguer o queixo, e com a voz suave porém firme, respondeu:

_ Senhor, eu agradeço de verdade por ter me socorrido. Eu não acho que daria conta daquele homem grande e bêbado. — Thaís deu um passo à frente e ficou frente a frente com quem a tinha salvado. A voz, antes trêmula, ficou mais suave, porém firme. — Mas eu realmente não acho que cometi nenhum erro. Estou no meu local de trabalho, com colegas de trabalho,

numa festa onde só apareci por obrigação — porque a chefia exigiu a presença de todos. E eu não estou sozinha; meu pai e minha amiga estão por aí dançando. Outra exigência do chefe.

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