Mundo ficciónIniciar sesiónIsadora Cavalcanti nunca imaginou que uma única gravação destruiria sua vida perfeita. Após capturar acidentalmente os detalhes de um esquema de corrupção envolvendo sua própria prima, Beatriz Cavalcanti, Isadora se torna o alvo número um da organização criminosa mais perigosa do Rio de Janeiro. No momento em que o cerco se fecha e sua execução parece inevitável em meio ao caos da cidade, um estranho de olhar gélido surge das sombras para resgatá-la. Ele é Hélio Valente, um ex-soldado das forças especiais que vive no anonimato e opera sob suas próprias leis. Hélio oferece a única saída legal para mantê-la protegida 24 horas por dia, longe do alcance de uma polícia corrupta e de uma família traidora: um casamento de conveniência. Agora, Isadora precisa decidir: entregar sua liberdade a um homem misterioso e implacável, ou morrer nas mãos daqueles que ela um dia amou. No entanto, à medida que os segredos do passado de Hélio começam a emergir, ela percebe que este contrato pode ser muito mais perigoso do que os assassinos que a perseguem
Leer másA tempestade que atingiu o Rio de Janeiro naquela noite não era apenas uma chuva de verão comum; era um dilúvio que parecia querer lavar os pecados impregnados no mármore Carrara da mansão da família Cavalcanti.
No distrito da Barra da Tijuca, as palmeiras se curvavam sob o chicote do vento, e o som dos trovões ecoava pelas paredes de vidro da sala de estar como o rugido de uma fera aprisionada.
Isadora Cavalcanti caminhava apressada pelo corredor da ala oeste. O tecido frio de seda do vestido de grife que vestia roçava em suas pernas, um lembrete constante da vida privilegiada que sempre levara. Mas, naquele momento, todo aquele luxo parecia sufocante.
Ela só precisava pegar seu celular. Havia deixado o aparelho sobre a mesa de carvalho no escritório de seu pai depois de um jantar de negócios que durou horas — um jantar no qual, como sempre, fora tratada apenas como uma peça de exibição, bonita e silenciosa.
Ao se aproximar da sólida porta de madeira de teca, Isadora percebeu que ela não estava completamente fechada. Um feixe de luz amarelada escapava para o corredor escuro e, junto com ele, vozes que fizeram os pelos de sua nuca se eriçarem.
— Isadora precisa ser eliminada, Beatriz. Ela viu a lista de envios na mesa hoje à tarde. Ela não é tão ingênua quanto você pensa — a voz grave e rouca de Otávio Menezes cortou o silêncio.
Isadora parou bruscamente. Seu coração disparou contra as costelas, o ritmo irregular doía em seu peito. Otávio era o braço direito de seu pai, um homem que ela sempre associara a charutos caros dançando entre dedos manchados por um sangue invisível.
— Eu sei! Mas ela é minha prima, Otávio! Se meu pai — ou pior, se os outros acionistas — descobrirem que uma Cavalcanti foi executada dentro desta casa... — a resposta de Beatriz Cavalcanti veio carregada de frieza irritada. Não havia afeto em sua voz, apenas cálculo. — O escândalo seria irreparável. Nossa herança depende da estabilidade da empresa.
— Então não faremos isso aqui — retrucou Otávio, e Isadora quase pôde ouvir o sorriso cruel em sua voz. — Faça limpo. Um acidente na Linha Amarela. Um caminhão sem freio, o carro perde o controle... amanhã de manhã, Isadora será apenas uma tragédia na manchete do jornal. Uma herdeira que se foi cedo demais.
O ar pareceu desaparecer dos pulmões de Isadora. O mundo de certezas onde crescera — o nome da família respeitado, a segurança dos muros altos, a lealdade de sangue — desmoronou em segundos.
Ela olhou para as próprias mãos: tremiam violentamente. O celular que acabara de pegar da mesa lateral ainda estava no modo de gravação de voz — um hábito bobo que usara mais cedo para registrar referências de tecidos. Sem perceber, estava gravando sua própria sentença de morte.
O medo a paralisou, mas o instinto primitivo de sobrevivência gritou mais alto. Ela precisava sair dali. Agora.
Ao tentar recuar, porém, o salto de seu sapato bateu em um vaso de porcelana decorativo. O som, embora pequeno, ecoou como um tiro no corredor silencioso.
— Quem está aí?! — gritou Otávio, seguido pelo som de uma cadeira sendo arrastada.
Isadora não pensou. Correu.
Não em direção à saída principal — onde os seguranças, ela agora percebia, eram mais leais ao dinheiro de Otávio do que à sua vida —, mas para a varanda dos fundos, voltada para o amplo jardim tropical. Seus pulmões ardiam enquanto atravessava a escuridão. A chuva a atingiu como chicotes assim que abriu a porta de vidro.
Ela estava prestes a pular no gramado quando uma mão grande, envolta em uma luva tática preta, surgiu das sombras de um pilar. Antes que pudesse gritar, foi puxada para trás com força brutal. Um braço de aço envolveu sua cintura, erguendo-a do chão, enquanto a outra mão tampava sua boca com firmeza quase violenta.
O corpo de Isadora ficou preso entre a parede fria de concreto e um peito largo, duro como aço. O cheiro de chuva, fumaça e um perfume amadeirado com um toque metálico invadiu seus sentidos.
— Fique quieta. Não faça nenhum som — a voz sussurrada em seu ouvido era um barítono grave, carregado de autoridade absoluta. Não era um pedido; era uma ordem.
Isadora ergueu o olhar, lutando contra as lágrimas e a chuva. Sob o clarão de um relâmpago que rasgou o céu do Rio de Janeiro, viu o rosto do homem. Um rosto esculpido nas sombras: maxilar marcado, barba por fazer e olhos tão escuros que pareciam dois abismos. Ele não era um dos convidados. Vestia roupas funcionais e carregava um fuzil compacto preso ao corpo por uma bandoleira.
— Quem é você? — sussurrou ela quando ele afrouxou o aperto, embora ainda a mantivesse firme.
— Alguém que você não vai querer como inimigo — respondeu o homem, os olhos varrendo o jardim em busca de movimento. — Meu nome é Hélio Valente. E se você quiser viver até o amanhecer, precisa parar de tremer e fazer exatamente o que eu mandar.
Passos pesados ecoaram na varanda acima deles. Feixes de lanternas começaram a varrer a vegetação. Isadora fechou os olhos, agarrando a jaqueta tática de Hélio como se fosse a única coisa real em meio ao caos.
— Eles... eles vão me matar. Beatriz, Otávio... — sua voz falhou.
Hélio olhou para o celular pressionado contra o peito de Isadora. Viu a luz vermelha da gravação ainda acesa. Um lampejo de algo — talvez respeito, talvez apenas interesse estratégico — cruzou seu olhar frio.
— Você tem a prova. Mas não tem o poder para usá-la. Sem mim, Isadora, você é só um belo cadáver esperando para ser enterrado — disse ele, aproximando o rosto do dela. A chuva escorria por sua testa, mas ele sequer piscava. — Eu posso te tirar daqui. Posso te manter viva, escondida em um lugar onde nem os homens de Otávio vão te encontrar.
— O que você quer em troca? — perguntou Isadora, a voz um tom mais agudo. Sabia que homens como Hélio não agiam por caridade.
Hélio sorriu — mas não havia calor naquele gesto. Era o sorriso de um jogador que acabara de receber a mão vencedora.
— Proteção total exige acesso total. Para te manter segura vinte e quatro horas por dia, sem que seu pai chame a polícia por sequestro ou Beatriz use a lei contra nós, precisamos de um vínculo impossível de quebrar — ele a puxou mais para perto, o calor do corpo dele sendo a única coisa que a impedia de congelar. — Você vai assinar um contrato. Nós vamos nos casar. Amanhã.
O mundo de Isadora girou.
— Casar? Com um estranho? Isso é loucura!
— Loucura é morrer por causa dos segredos da sua família — rebateu Hélio, ouvindo latidos ao longe. O tempo deles estava acabando. — Escolha, Isadora. O altar ou o necrotério. Não tenho a noite toda.
Isadora olhou para a mansão que antes era seu lar e agora era sua sentença de morte. Depois, encarou o homem perigoso diante dela. Nenhuma das opções oferecia segurança real — mas uma delas oferecia uma chance de sobreviver... e de se vingar.
— Eu aceito — sussurrou.
Hélio não perdeu tempo. Com agilidade impressionante, tomou Isadora nos braços e saltou o muro lateral, desaparecendo na escuridão da tempestade antes que as lanternas os alcançassem.
O acordo havia sido selado pela chuva e pelo medo.
Isadora Cavalcanti acabara de se tornar a noiva de um fantasma.
O lobby do Copacabana Palace naquela noite brilhava sob a luz de um enorme lustre de cristal, refletindo o luxo intoxicante da alta sociedade do Rio de Janeiro. O cheiro de perfumes caros, o aroma de charutos e o tilintar de taças de champanhe preenchiam o ar. Em um canto do salão, Beatriz Cavalcanti estava de pé, usando um vestido vermelho sangue que abraçava seu corpo perfeitamente. Ela sorria amplamente, tomando seu drink enquanto recebia condolências veladas de colegas de negócios.— Uma pena sobre a Isadora — sussurrou uma socialite mais velha. — Um acidente trágico na estrada… a polícia disse que o carro dela queimou completamente, não foi?Beatriz tocou o canto dos olhos secos com uma atuação impecável.— Estamos devastados. Ela era tão jovem, tão imprudente com seu carro esportivo. Nossa família ainda está de luto, mas esta ação beneficente precisa continuar. Isadora teria desejado isso.Otávio Menezes estava ao lado dela, vestindo um caro smoking preto. Seus olhos percorriam
A luz do sol do Rio de Janeiro se infiltrava timidamente pelas frestas das cortinas automáticas do penthouse de Hélio. Isadora despertou com uma dor latejante nas têmporas. Por alguns segundos, esqueceu onde estava, até perceber a camisola de seda preta colada ao seu corpo — um presente do homem que agora era dono da sua vida.Ela se levantou da cama, os pés descalços tocando o chão de madeira frio. Ao abrir a porta do quarto, foi recebida pelo aroma forte de café e de pão tostado. Mas havia outro cheiro ainda mais dominante: o aroma masculino de Hélio, que agora parecia o próprio oxigênio daquele ambiente.Hélio estava sentado à mesa de jantar de granito, olhando para o laptop com óculos de leitura de armação preta, o que o fazia parecer dez vezes mais perigoso — inteligente e letal ao mesmo tempo. Já estava bem vestido; a camisa preta com as mangas dobradas até os cotovelos revelava as veias salientes nos braços que, na noite anterior, haviam segurado a cintura de Isadora.— Você es
O beijo em seu pescoço foi breve, mas deixou uma marca ardente na pele de Isadora, como ferro em brasa selando posse. Hélio a soltou com um leve impulso, deixando-a cambaleante, com a respiração irregular. A camisa branca larga que vestia escorregou de um ombro, revelando a clavícula delicada e a pele ainda úmida do vapor do banho.Hélio a observava com expressão neutra, como se a reação do corpo de Isadora — o coração acelerado e o rubor nas bochechas — fosse apenas uma variável técnica em sua missão.— Sente-se — ordenou.Ele não esperou resposta. Caminhou até o pequeno bar no canto da sala, servindo um líquido âmbar em um copo de cristal. O som do gelo batendo contra o vidro ecoou alto no silêncio do apartamento isolado.Isadora obedeceu. Sentia as pernas fracas.— Por que você fez isso? — sua voz saiu rouca, quase um sussurro. — Aquele beijo… não estava no contrato.Hélio se virou, deu um gole no uísque e apoiou o quadril no balcão. Seus bíceps se destacavam sob a luz baixa.— Aqu
Hélio Valente movia-se como uma sombra no meio da tempestade. Isadora só conseguiu fechar os olhos, enterrando o rosto na curva do pescoço dele enquanto atravessavam a escuridão do jardim. O cheiro de Hélio — uma mistura de chuva, pele e um aroma masculino intenso — parecia entorpecer seus sentidos, fazendo-a esquecer por um instante que aquele homem era um estranho que acabara de arrancá-la da beira da morte.Quando a porta de um SUV preto escondido atrás dos arbustos se abriu, Hélio não foi gentil. Ele praticamente lançou Isadora no banco traseiro frio antes de saltar para o banco do motorista. O motor ronronou baixo, quase inaudível, e o veículo disparou, deixando para trás a Barra da Tijuca.Durante trinta minutos, o silêncio dentro do carro foi tão denso que Isadora podia ouvir o próprio coração disparado. Hélio não disse uma palavra. Seus olhos permaneciam fixos no retrovisor, monitorando cada movimento atrás deles com a atenção de um predador.Por fim, chegaram a um apartamento





Último capítulo