CAPÍTULO 3

_ Então me mostra onde eu estou errada. Aquele homem estava me intimidando e mesmo assim eu sou a culpada?

Ao terminar o desabafo, Thaís sentiu o calor subir ao rosto. Percebeu que tinha sido impulsiva, engoliu em seco e foi se afastando.

Ele não a segurou. Ficou parado, os olhos escuros

seguindo cada passo dela até ela se encostar na

parede.

Ele era alto, postura impecável, o terno

azul-marinho caindo perfeito sobre os ombros, a

camisa branca e o relógio discreto no pulso. O cabelo escuro bem penteado, e a barba bem feita transmitiam cuidado e controle. Nada nele gritava poder — ele simplesmente o carregava, como quem está acostumado a ser observado sem precisar chamar atenção.

Era o CEO.

Enquanto os colegas riam alto e trocavam brindes, ele permanecia à margem, observando tudo com um olhar atento e sereno. Não tocou em bebida alcoólica; segurava apenas um copo de água, como quem prefere a clareza. Conhecia cada rosto ali, conhecia os excessos que a “obrigação de confraternizar” às vezes trazia, e conhecia aquele funcionário bêbado — um nome que já estava anotado na sua lista mental de

problemas a resolver.

Quando Thaís se afastou, ele inspirou devagar, ajeitou o paletó e foi atrás dela, mantendo uma distância respeitosa. Não era para importuná-la, e sim para garantir que ela chegasse ao pai em segurança. Ao alcançá-la perto da parede, ele falou baixo, com voz firme mas gentil:

— Eu me chamo Alex. Você não está errada. Vou cuidar disso.

Ela ergueu os olhos, surpresa. O homem que a

salvara não era apenas um colega qualquer; era

alguém que parecia ter algum poder naquela

empresa. E, naquele instante, o peso que ela

carregava nos ombros aliviou um pouco.

— Me concede esta dança?

Thaís hesitou por um instante. A música

estava mais lenta agora, as luzes mais

amenas, e a ideia de dançar com um

desconhecido tão imponente a deixava

desconfortável. Alex percebeu a dúvida dela

e insistiu, com um meio sorriso tranquilo:

— Prometo que será só uma dança.

Ela respirou fundo, assentiu e aceitou a mão

dele.

— Como você se chama? — perguntou ele, ainda

com a seriedade habitual, mas com a expressão

suavizada.

— Thaís — respondeu ela, controlando a

respiração.

— Thaís... Lindo nome — repetiu ele,

observando-a.

Ela o encarou por alguns segundos, o rosto

levemente corado. Não conseguiu agradecer

com palavras, apenas assentiu com a cabeça.

Para puxar assunto, ele perguntou:

— Hum... então você é funcionária daqui? Como

nunca te vi antes?

— Estou aqui há três meses — explicou ela. —

Trabalho numa área que quase ninguém vê. É um

cargo mais simples.

Alex a avaliou por um instante e perguntou

sua idade. Thaís, em vez de responder, revidou:

— Você costuma sair perguntando a idade de

todas as mulheres que cruza pela frente?

Ele arqueou uma sobrancelha.

— Você é sempre tão direta... e agressiva?

Ela percebeu que havia sido rude sem

necessidade. Agradeceu novamente por ele

tê-la salvado do pervertido e, finalmente,

disse:

— Tenho dezoito anos.

— Apenas dezoito... Você pelo menos

concluiu seus estudos? — perguntou Alex com a

curiosidade vencendo a formalidade.

— Concluí, sim — respondeu Thaís. — E faço faculdade, assim que saio da empresa.

— Como você dá conta de trabalhar na

empresa e ainda fazer faculdade?

— Eu não vou à faculdade todos os dias. A

maior parte das tarefas faço em casa; só

tenho aulas presenciais duas vezes por semana. E, enquanto dá, eu vou dando conta. Sempre fui muito esforçada.

Alex a observou em silêncio, um leve respeito brilhando nos olhos dele. A fragilidade que ele notara antes agora vinha acompanhada de uma firmeza que o intrigava ainda mais. Ele a elogiou:

— Você é muito bonita. Tem namorado?

Aproximou-se um pouco mais. Thaís corou imediatamente, gaguejou algumas sílabas desconexas e acabou fugindo com a desculpa de que ia beber água.

_ Thaís se afastou de Alex. Nesse momento, a pista já não estava tão cheia; alguns convidados tinham o semblante cansado, outros mantinham um sorriso cordial por pura conveniência. As máscaras já não eram mais obrigatórias, ela também tirou a sua, respirando fundo o ar mais fresco do salão. Olhou ao redor, procurando sua amiga, e foi quando cruzou o olhar com Ana.

— Thaís, onde você se meteu? — Ana se aproximou apressada. — Estava te procurando.

— Ai, amiga, você não faz ideia... Mas agora estou bem — disse Thaís, antes que a amiga se preocupasse, e contou tudo o que havia acontecido, nos mínimos detalhes. A única parte que omitiu foi a dança e a conversa com Alex.

— Nossa, amiga, eu não consigo acreditar que, num evento desses, algo tão ruim possa acontecer — Ana pensou por um instante, observou a amiga com atenção e concluiu:

— Quando formos a qualquer festa, nunca mais vamos nos separar, tá bem?

— Combinado. Mas eu não pretendo contar nada disso pro papai, senão ele vai querer que a gente peça demissão, e eu não quero sair daqui tão cedo. O salário é muito bom.

Tanto Ana quanto Thaís estavam empolgadas em trabalhar naquela empresa. Elas tinham planos de juntar dinheiro, comprar uma casa maior e melhorar a vida dos pais: Ana queria dar mais conforto à mãe, e Thaís, ao pai.

...

Passaram-se alguns minutos, a música parou, houve um silêncio imediato e alguém anunciou:

_ Boa noite a todos!

A voz era de ninguém menos que Isabela, uma das acionistas da empresa, uma mulher alta,

loira, olhos verdes, muito bonita e bem elegante, mas, como nem tudo é perfeito, ela tinha uma voz tão irritante ao ponto de alguns dos colegas de trabalho preferirem fazer hora extra, faxinar a empresa ou fazer qualquer outra coisa que não envolvesse ouvir a voz dela por mais que cinco minutos.

_ Então agora é a hora de saber qual foi o casal que ganhou a competição, quem será que vai ganhar esse prêmio tão valioso?

Isabela tinha investido durante anos em seu plano para se casar com Alex, no entanto seu plano nunca teve sucesso, Alex nunca demonstrou interesse nem nela, nem em nenhuma outra mulher naquela empresa, a única corajosa e cara de pau, que de vez em quando tentava investir e jogar charme era Isabela.

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