Mundo de ficçãoIniciar sessãoDepois de anos vivendo um casamento abusivo, Lena acreditava que nunca mais conseguiria confiar em alguém. Ansiosa, marcada por cicatrizes invisíveis e perseguida pelas memórias do bebê que perdeu, ela foge da própria cidade levando apenas uma mala, o medo constante e a esperança silenciosa de recomeçar. Na nova cidade, tudo o que ela quer é passar despercebida. Mas seus planos mudam quando conhece Dave Albuquerque, um empresário frio, controlador e extremamente reservado. Conhecido pela postura rígida e pela necessidade quase obsessiva de ter tudo sob controle, Dave não acredita em amor, não se permite sentir e mantém todos à distância. Para ele, sentimentos são fraquezas perigosas. O encontro entre os dois é um choque imediato. Lena se assusta com a intensidade dele. Dave se irrita com a fragilidade aparente dela. Ainda assim, algo inexplicável os prende um ao outro. Enquanto ela tenta esconder seus traumas e sobreviver aos próprios gatilhos, ele percebe, pela primeira vez, a vontade desesperadora de proteger alguém. Mas amar Lena significa encarar os fantasmas que ela carrega; as crises de ansiedade, os medos, as noites em claro e a sombra do homem que quase destruiu sua vida. E para Dave, protegê-la também significa enfrentar a própria incapacidade de demonstrar sentimentos. Entre discussões intensas, silêncios sufocantes e uma atração impossível de ignorar, os dois descobrem que algumas pessoas não entram na nossa vida para nos salvar, mas para nos ensinar que ainda é possível ser amado depois da dor. Um romance intenso sobre recomeços, trauma, possessividade, cura emocional e a difícil arte de confiar novamente.
Ler maisO escritório parece maior quando está tudo errado ao mesmo tempo.Fico de pé há alguns minutos, encarando a pilha de documentos sobre a mesa como se eles pudessem se reorganizar sozinhos se eu olhar com força suficiente. Não acontece. Contratos atrasados, relatórios incompletos, decisões que deveriam ter sido registradas e não foram. A antiga assistente saiu há duas semanas e desde então tudo anda no limite do aceitável, o que, para mim, já significa fora de controle.Passo a mão pela nuca e solto o ar devagar. Não é sobre volume de trabalho, nunca foi. É sobre desorganização. Sobre depender de outras pessoas e ainda assim esperar que alguma coisa funcione. Isso sempre dá errado.Caminho até a janela sem realmente prestar atenção na cidade lá fora. Prédios altos, trânsito constante, pessoas atravessando ruas como se tudo estivesse no lugar certo. Tudo funcionando. Menos aqui dentro. Volto para a mesa e apoio os dedos na madeira por um instante antes de pegar o celular quando ele vibra.
Passei quase duas horas encarando a tela do notebook antes de finalmente criar coragem para enviar os currículos. O site da cidade realmente tinha dezenas de vagas abertas, exatamente como a mulher do mercado comentou. Hotéis, lojas, cafeterias, clínicas e empresas administrativas apareciam em praticamente todas as páginas. Durante alguns minutos, senti até um certo alívio lendo aquilo, como se talvez recomeçar não fosse tão impossível quanto parecia nos primeiros dias na nova casa silenciosa.O problema começou quando precisei clicar em “enviar”.Meu currículo não tem nada impressionante. Alguns anos trabalhando no administrativo de uma empresa pequena na antiga cidade, cursos básicos e períodos vazios demais que eu nem saberia explicar sem tocar em assuntos que não quero reviver. Ainda assim, comecei a enviar. Um currículo. Depois outro. E a cada candidatura, meu estômago apertava um pouco mais.Talvez ninguém respondesse, ou quem sabe respondessem e percebessem que eu não sou boa o
O mercado está mais cheio do que imaginei para uma terça-feira de manhã.Pessoas passam apressadas pelos corredores com carrinhos lotados. Crianças correm perto das prateleiras e eu as observo por longos minutos, até perceber que essa atitude não é muito normal e seguir meu caminho.O ambiente inteiro parece vivo demais, barulhento além dos meus limites, porém continuo caminhando devagar entre os corredores porque preciso me acostumar. Necessito aprender a existir no meio das pessoas outra vez sem sentir que estou prestes a desmoronar.Seguro a cesta contra o corpo conforme observo os valores do café na prateleira. O dinheiro que trouxe comigo está acabando mais rápido do que gostaria, e a realidade começa a pesar de verdade pela primeira vez desde que cheguei à cidade. Não posso continuar vivendo dos poucos meses de reserva que consegui guardar escondido. Preciso trabalhar e ocupar a cabeça antes que ela me afunde de novo nas lembranças que tento evitar todos os dias.Minha mão ainda
O silêncio dentro do carro deveria ser desconfortável.Mas não é.A cidade passa pela janela enquanto mantenho os olhos presos nas luzes espalhadas pelas avenidas. Tento prestar atenção nas ruas, nos prédios, nos semáforos fechando e abrindo à nossa frente, em qualquer coisa que impeça minha cabeça de pensar demais no homem sentado ao meu lado.O problema é que pensar nele parece inevitável.Dave dirige com uma das mãos apoiadas no volante, a expressão séria iluminada de tempos em tempos pelas luzes da rua. Continua fechado e duro demais, como alguém acostumado a manter distância de tudo e todos.Ainda assim, ele me salvou, de certa forma.Aperto os dedos da mão boa contra o tecido da calça enquanto observo o movimento da cidade pela janela. Estou nervosa desde o instante em que aceitei entrar nesse carro e passei o endereço, porque sei que não deveria confiar em estranhos.Principalmente em homens.A voz do meu ex-marido surge na memória tão clara que meu estômago revira imediatament
Último capítulo