O ônibus para devagar na plataforma, e o solavanco leve faz meus olhos se abrirem depois de horas olhando a estrada sem realmente enxergar nada. Por alguns segundos, continuo sentada, tentando reunir coragem para levantar. A viagem inteira parece presa no meu corpo; costas doloridas, pernas pesadas, cabeça cansada demais para pensar direito.Lá fora, a cidade pulsa através das janelas embaçadas.As luzes dos comércios refletem no asfalto molhado pela chuva recente, carros passam apressados pela avenida em frente à rodoviária e pessoas caminham de um lado para outro como se soubessem exatamente para onde estão indo. É estranho observar aquilo sabendo que, pela primeira vez em muito tempo, ninguém faz ideia de quem sou.Ninguém aqui conhece meu passado ou sequer meu nome.Talvez seja melhor assim.Seguro a barra do casaco entre os dedos enquanto o motorista anuncia o fim da viagem. O coração acelera na mesma hora, nervoso como sempre fica diante de mudanças. Tento controlar a respiração
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